O Mestre Damasceno morreu aos 71 anos em BelémReprodução/Redes Sociais
Publicado 26/08/2025 08:50 | Atualizado 26/08/2025 09:02
Damasceno Gregório dos Santos, o Mestre Damasceno, morreu na madrugada desta terça-feira (26), aos 71 anos, em Belém, no Pará. O artista marajoara estava internado há dois meses tratando de complicações causadas pelo câncer. A morte foi confirmada por familiares. 

Em 22 de junho, ele foi levado a um hospital em Belém para tratar seu quadro clínico. Demasceno foi transferido para o Hospital Jean Bittar e, posteriormente, encaminhado para o Hospital Ophir Loyola, onde estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), devido a pneumonia e insuficiência renal.

Ainda em junho, o artista foi diagnosticado com câncer em estado de metástase no pulmão, fígado e rins.
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O mestre Damasceno, nascido na comunidade Quilombola do Salvá, no arquipélago do Marajó, era conhecido como uma referência no carimbó, sendo o criador do Búfalo-Bumbá de Salvaterra, manifestação junina que mistura teatro popular, cultura quilombola e elementos da natureza amazônica.

Aos 19 anos, ele perdeu a visão em um acidente de trabalho e, a partir daí, teve que transformar sua vida artística com novos desafios. Em maio do ano passado, recebeu a mais alta honraria do Ministério da Cultura - a Ordem do Mérito Cultural.

O primeiro título de Damasceno foi em 1973, aos 19 anos, quando se tornou campeão de colocador de Boi-Bumbá, no município de Soure. Além disso, já recebeu o Prêmio Mestre da Cultura Popular do Estado do Pará e foi reconhecido como mestre de carimbó pelo Instituto do Patrimônio, Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2017.

O mestre ainda foi um dos homenageados da 28ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, junto com a escritora Wanda Monteiro. Uma das obras editadas lançadas durante o evento era “Mestre Damasceno e as Cantorias do Marajó”, de Antonio Carlos Pimentel Jr., com relatos de vida de Damasceno para o público infanto-juvenil.

Damasceno deixou mais de 400 composições autorais e seis álbuns gravados, sendo considerado uma força da cultura do Norte do Brasil, além de símbolo de resistência local. Coincidentemente, o artista morreu no dia 26 de agosto - o Dia Municipal do Carimbó em Belém.
O governador do Pará, Helder Barbalho, decretou luto oficial pela morte do Mestre Damasceno. "É com grande tristeza que recebemos a notícia da morte do querido @mestredamasceno . Foi uma honra poder homenageá-lo em vida na Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes deste ano. Seu legado na cultura paraense é imensurável e seguirá tocando gerações. Meus sentimentos aos fãs, amigos e familiares. Que Deus os conforte neste momento de dor", escreveu em uma publicação nas redes sociais. 

Carnaval no Rio

O artista também teve passagens marcantes pelo Carnaval do Rio de Janeiro. Em 2023, desfilou na Marquês de Sapucaí pela escola Paraíso do Tuiuti, em um samba-enredo inspirado na chegada dos búfalos à Ilha de Marajó.

Já em 2025, foi um dos autores do samba da Grande Rio, ao lado de parceiros paraenses, com o enredo “Pororocas Parawaras: As Águas dos meus Encantos nas Contas dos Curimbós", que conquistou nota máxima e rendeu diversos prêmios à escola.
 
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