Publicado 26/08/2025 17:54
Um jovem de 22 anos denunciou ter sido agredido por seguranças da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) na noite de domingo (24), na estação José Bonifácio, da Linha 11-Coral, Zona Leste de São Paulo. As informações foram reveladas pelo portal G1.
PublicidadeMatheus Dias disse que voltava de uma batalha de rap na Praça Brasil, em Itaquera, quando pulou a catraca para acessar a estação. Ele afirma que foi atingido por um soco no rosto desferido por um segurança e retirado do local. Em seguida, amigos pagaram a passagem para que ele pudesse embarcar.
O artista relata que, mesmo após o pagamento do bilhete, os agentes o abordaram novamente na plataforma, alegando vandalismo. Imagens gravadas por testemunhas mostram seguranças tentando imobilizá-lo à força. Em determinado momento, um dos agentes derruba o jovem no chão e o prende pelo pescoço.
Nas imagens, Matheus aparece dizendo que não estava reagindo e reclamando do soco recebido. Testemunhas pedem para que os seguranças interrompam a imobilização. O rapaz ficou com a boca ensanguentada e perdeu um dente durante a ação.
Segundo Matheus, a abordagem foi desproporcional. "Eu não sou o primeiro e não vou ser o último. Já aconteceu de eu ser retirado de outras estações sem violência. Dessa vez, levei um soco no olho. O que mais vai ter que acontecer para mudarem o treinamento e a ética desses agentes?", disse.
A CPTM afirmou, em nota, que os vigilantes atuaram porque o jovem praticou evasão de renda, teria danificado um mapa de sinalização da estação e apresentado comportamento agressivo, ferindo um dos agentes. A companhia declarou ainda que "repudia qualquer tipo de violência" e que apura a conduta dos funcionários envolvidos.
A Secretaria da Segurança Pública informou que o caso foi registrado como dano ao patrimônio público e lesão corporal no 63º DP (Vila Jacuí). Passageiro e segurança foram levados a um pronto-socorro e prestaram depoimento.
A defesa de Matheus Dias alega desproporção na ação. O advogado Thiago Feliciano Lopes afirmou que o caso evidencia racismo institucional e que já foi feito boletim de ocorrência, além de exame de corpo de delito. A equipe jurídica informou que tomará medidas criminais e cíveis contra os responsáveis e contra a CPTM.
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