Procurada pela reportagem, a Câmara dos Deputados não se pronunciou sobre a participação dos foragidos na reuniãoMarcello Casal JrAgência Brasil
Publicado 28/08/2025 21:59
São Paulo - Foragidos da Justiça brasileira, os comunicadores bolsonaristas Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio participaram, por chamada de vídeo, de uma audiência pública da Câmara dos Deputados sobre o 8 de Janeiro. A reunião desta quarta, 29, foi organizada pela Subcomissão de Fiscalização e Direitos dos Presos do 8 de Janeiro, ligada à Comissão de Segurança Pública da Casa.
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Instituído em maio, o grupo foi criado para apurar supostas violações de direitos humanos nos processos dos envolvidos nos atos golpistas. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos, também participou do encontro na Casa por videoconferência.
"Quem manda aqui na Câmara somos nós, deputados federais eleitos", disse o presidente da subcomissão, deputado Coronel Meira (PL-PE), em resposta a informações da Câmara de que o convite dos dois passaria por "análise jurídica", conforme registrou o portal UOL. Sobre as acusações contra os dois convidados, Meira disse que, "anteriormente, até Fernandinho Beira-Mar já deu depoimento nesta Casa".
Allan e Oswaldo falaram por mais de dez minutos cada. Eles afirmaram viver livres nos países em que residem no momento, Estados Unidos e Espanha, respectivamente, e ter solicitado asilo. Também fizeram ataques à atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, menções às sanções aplicadas pelos Estados Unidos em decorrência da ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por tentativa de golpe de Estado, e relatos sobre o processo de fuga do Brasil e de reencontro com suas famílias.
Segundo o advogado criminalista Bruno Salles, o convite para serem ouvidos na reunião não tem impedimentos jurídicos. "Em tese, poderiam ouvir até uma pessoa presa ou condenada. Outra questão é darem espaço no Parlamento a pessoas que atacaram as instituições e o estado de direito, mas esse é um assunto para o Conselho de Ética (da Casa)", afirmou.
Procurada pelo Estadão, a Câmara não se pronunciou sobre a participação de Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio na reunião.
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