O ministro da Saúde, Alexandre PadilhaAntonio Cruz/Agência Brasil
Publicado 19/09/2025 18:47 | Atualizado 19/09/2025 18:47
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que não participará da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nem de outros compromissos previstos nos Estados Unidos na próxima semana. Ele afirmou que as condições impostas pelo governo americano tornaram sua presença inviável e classificou as medidas como “inaceitáveis” e “uma afronta”.
Publicidade
Entre as restrições, Padilha estaria limitado a circular apenas em um raio de cinco quarteirões no entorno do hotel, da sede da ONU e da missão brasileira em Nova York. Além disso, ficou impedido de viajar a Washington, o que comprometeria sua participação na Assembleia Geral da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Para agendas fora da área autorizada, o Brasil teria de solicitar permissão com 48 horas de antecedência às autoridades americanas.
O ministro destacou que não se trata de uma medida pessoal contra ele, mas contra o cargo que ocupa. “As restrições inviabilizam a presença do ministro da Saúde do Brasil nas atividades que ele precisa fazer parte”, disse em entrevista. Padilha citou, entre os eventos cancelados, reuniões bilaterais, compromissos como presidente da parceria dos Brics na saúde, além de encontros do G20 e do Mercosul — muitos deles fora do perímetro permitido. Também seriam prejudicadas visitas a hospitais e negociações com empresas interessadas em investir no Brasil.
Padilha havia obtido o visto americano na terça-feira (16), mas afirmou que o impedimento de ir a Washington foi decisivo para suspender a viagem. Ele planejava anunciar, na Opas, o aporte brasileiro a um fundo estratégico destinado a ampliar o acesso a vacinas e medicamentos contra o câncer em toda a região.
O ministro disse ter enviado uma “nota dura” à organização, criticando a posição dos EUA. No documento, segundo ele, reforçou que a cooperação internacional não será enfraquecida por “obscurantismo e negacionismo” presentes no país.
Apesar do impasse, Padilha assegurou que o Brasil seguirá atuando para fortalecer a produção nacional de vacinas e tecnologias em saúde. “Eles até podem impedir a presença do ministro, mas não vão impedir a defesa da ciência e da vacina”, declarou.
Leia mais