Publicado 23/09/2025 13:21
A decisão dos Estados Unidos nesta segunda-feira, 22, de aplicar sanções contra a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, ganhou destaque na imprensa internacional.
PublicidadeA medida, adotada com base na Lei Magnitsky, foi descrita como inédita e controversa e responsável por elevar as tensões diplomáticas entre Washington e Brasília. A sanção havia sido prometida pelo governo de Donald Trump como reação à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na trama golpista.
O jornal francês Le Monde escreveu que "a administração norte-americana exerce pressão crescente contra autoridades judiciais brasileiras" e ressaltou que a medida integra "uma crise diplomática em curso entre os dois países". Os efeitos da sanção incluem o congelamento de bens e a proibição de transações financeiras com cidadãos dos EUA.
O norte-americano The Washington Post apontou que "Trump, que também foi acusado de tentar permanecer no poder após uma derrota eleitoral, tentou pressionar o Supremo Tribunal Federal para retirar as acusações contra Bolsonaro".
O jornal também citou uma entrevista concedida por Moraes no mês passado, em que o ministro afirmou que não iria recuar "nem um milímetro" diante da pressão estadunidense, e lembrou que a Lei Magnitsky, "destinada a punir autoridades estrangeiras corruptas e graves violadores dos direitos humanos", geralmente tem como alvo "altos funcionários de Estados inimigos, como Coreia do Norte ou Irã, ou indivíduos procurados por crimes de guerra."
O espanhol El País chamou a sanção de "retaliação econômica politicamente motivada", imposta pelos EUA ao Brasil. A publicação destacou que Viviane Barci de Moraes integra agora a mesma lista em que aparecem criminosos internacionais, à qual "acabam de se juntar ninguém menos que os Mayos, uma poderosa facção do cartel de Sinaloa, e dois islâmicos sudaneses com conexões com o Irã."
Na Suíça, o 20 Minutes publicou que "Trump se vinga da esposa do juiz", destacando que Viviane "perde toda oportunidade de negócios nos EUA" devido às decisões do marido. A edição francesa do mesmo veículo afirmou que "os Estados Unidos se voltam contra a esposa do juiz brasileiro que condenou Bolsonaro", citando acusações dos EUA de que Moraes teria "violado direitos humanos e censurado opositores".
No Canadá, o TVA Nouvelles informou que "as sanções aumentam a crise entre os dois países" e que o ministro Alexandre de Moraes é acusado de ter "orquestrado uma caça às bruxas contra Bolsonaro".
A rede árabe Al Jazeera disse que os advogados dos sancionados vão recorrer, mas que "juristas dizem que suas chances de sucesso são remotas". O episódio foi definido como acirramento da crise diplomática entre "as duas maiores democracias do Hemisfério Ocidental."
Sobre a sanção à mulher do ministro do STF, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que as sanções buscam "responsabilizar quem protege e facilita atores estrangeiros como Moraes" mirando uma "rede de apoio" do ministro.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que "não há Clyde sem Bonnie", em referência a um casal de criminosos dos EUA famoso na década de 1930.
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