Barras de ouro foram avaliadas em R$ 45 milhõesDivulgação
Publicado 31/10/2025 09:17
A Polícia Militar do Amazonas (PMAM) prendeu seis pessoas, entre elas dois policiais militares e um policial civil, na noite de quarta-feira (29), no Amazonas, suspeitos de envolvimento no transporte ilegal de 72,6 Kg de ouro maciço. Dividido em 77 barras, o "tesouro" foi avaliado em cerca de R$ 45 milhões.
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De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), essa é a maior apreensão de ouro da história do Amazonas.
A operação foi conduzida pelas Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam) após uma denúncia anônima ao 190, que relatava que uma família estava sendo mantida refém em uma casa próxima ao 23º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Zona Centro-Sul de Manaus.

Ao chegar ao imóvel, os militares encontraram parte do grupo criminoso e os moradores da residência, que estavam rendidos. No local, foram identificados três agentes de segurança, sendo dois cabos da PMAM e um investigador da Polícia Civil do Amazonas (PCAM).

A casa pertencia a um venezuelano, suspeito de utilizar o endereço como ponto de armazenamento do ouro contrabandeado da Venezuela.
"Na residência a gente encontrou a família no chão, na garagem. Fomos recebidos por um policial civil e os dois policiais militares estavam dentro da residência. De imediato a gente entendeu que algo estava errado", disse o comandante da Rocam, tenente-coronel Renan Carvalho em coletiva de imprensa.
"Feita revista na casa, encontramos algumas barras de ouro na sala e um local onde as barras de ouro seriam escondidas, que era no tanque de um dos veículos que seria usado para transportar essas barras", acrescentou.
Durante a ação, a corporação apreendeu barras de ouro de origem venezuelana, além de armas, munições, coletes balísticos, celulares e dinheiro. Também foram encontrados dois veículos, sendo um blindado e outro com fundo falso, que seriam utilizados para o transporte do ouro pela capital.
O delegado-adjunto da Polícia Civil do Amazonas, Guilherme Torres, afirmou que já foram adotadas medidas administrativas e investigativas sobre o caso.
"Será instaurado um inquérito policial. Nós não compactuamos com qualquer tipo de conduta de um servidor, um policial, que não tinha nenhuma justificativa para estar ali, naquele momento, fazendo qualquer operação. A PF (Polícia Federal) vai instaurar um inquérito para verificar a participação de outros possíveis servidores nesse esquema ilegal de venda de ouro. Acionamos imediatamente à Corregedoria, que está tomando as providências", explicou.
O corregedor-geral do Sistema de Segurança Pública, coronel Franciney Bó, também destacou que a apuração será rigorosa.
"A gestão do sistema de segurança pública não está aqui para compactuar com atitudes de servidores com o crime. Tanto que policiais militares da Rocam, mesmo sabendo que tinham ali colegas de farda, não se limitaram a atender a ocorrência. Fizeram a prisão e foram atrás dos detalhes. Um dos policiais envolvidos já responde a procedimento na Corregedoria, e nós temos o dever de fazer uma apuração isenta e rigorosa. Não vamos compactuar com desvio de conduta de forma alguma", ressaltou.
O material apreendido foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal (PF), em Manaus, que conduz a investigação sobre a origem do ouro e a possível participação de outros servidores públicos no esquema.
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