Nomes dos investigados não foram divulgadosDivulgação/ PF
Publicado 25/11/2025 08:58 | Atualizado 25/11/2025 09:08
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (25), a Operação Paralelo Cinco. ação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa responsável pelos desvios milionários destinados à área da saúde em municípios do Rio Grande do Sul e de São Paulo. Os nomes dos investigados não foram divulgados.
Publicidade
Ao todo, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva no RS, SP e Santa Catarina. Além disso, foram sequestrados 14 imóveis, apreendidos 53 veículos e uma embarcação e bloqueados valores em contas bancárias de mais de R$ 22,5 milhões.
Segundo a corporação, também há medidas cautelares impostas aos 20 investigados. Entre elas, afastamento de funções, suspensão de atividades econômicas, restrição de acesso a órgãos públicos e proibição de contato entre os envolvidos.
A decisão do Juízo das Garantias da 2ª Vara Federal de Santana do Livramento ainda determinou a designação de interventores nos hospitais municipais de Jaguari e Embu das Artes (SP).
A investigação teve início em janeiro de 2024. De acordo com a PF, empresários de Porto Alegre assumiram a gestão dos hospitais de Jaguari e Embu das Artes. Entre 2022 e agosto de 2025, essas instituições receberam mais de R$ 340 milhões em recursos públicos, de repasses municipais, estaduais e federais.

"As investigações apontam para um sistema de desvio de recursos públicos, baseado na utilização de empresas de fachada e entidades interpostas, sem capacidade operacional mínima, empregadas para emissão de notas fiscais inidôneas e ocultação da real destinação dos recursos. Os valores repassados eram rapidamente pulverizados para dezenas de contas de pessoas físicas e jurídicas sem qualquer vínculo com os serviços contratados, beneficiando os gestores da organização social e alimentando um sofisticado esquema de ocultação e dissimulação financeira", explicou a corporação.
Os investigadores também identificaram desvios diretos das contas-convênios para despesas pessoais, como salários elevados sem prestação de serviços, contratos fictícios, aluguéis de imóveis de luxo, viagens, aquisição de bens particulares e manutenção de vantagens pessoais.
Em nota, a prefeitura de Jaguari afirmou que possui contrato com o Hospital de Caridade do município, mas que não é alvo da operação.
"A administração municipal aguarda mais informações sobre a investigação para colaborar com as autoridades e evitar que o município seja lesado", disse. "Um interventor será nomeado pela Prefeitura para garantir que os atendimentos à população não sejam prejudicados", acrescentou.
A operação é realizada com o apoio técnico do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE/RS) e da Controladoria-Geral da União (CGU).
"Desvios de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) afetam diretamente a oferta dos serviços à população, comprometendo o abastecimento de insumos, a continuidade dos atendimentos, a capacidade operacional das unidades e a eficiência da rede hospitalar", ressaltou a CGU.
Os investigados podem responder por organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, entre outros crimes.
Leia mais