Presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)Reprodução
Publicado 26/11/2025 12:50
Em rota de colisão com o Planalto, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiram não comparecer à cerimônia de sanção da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) nesta quarta-feira (26).

Motta disse que cumpre "agenda interna" na manhã desta quarta-feira, 26. Na sua rede social na plataforma X, o presidente da Câmara celebrou o projeto, que teve como relator o seu antecessor no cargo, o deputado Arthur Lira (PP-AL).
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"Hoje a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil se torna lei. Uma vitória histórica para milhões de brasileiros", escreveu o deputado.

"Quando o projeto chegou na Câmara dos Deputados, rapidamente determinei a criação de uma comissão para análise. A matéria saiu ainda melhor, ampliando a redução da alíquota para quem recebe até R$ 7.350. A aprovação na Casa foi unânime", disse. "Este é o resultado da união dos Poderes em favor do Brasil. Com respeito às atribuições legislativas, diálogo e equilíbrio, o País avança", acrescentou.

No caso da Câmara, a tensão ficou elevada durante a tramitação do PL Antifacção. Defendida por Motta, a proposta foi chamada de "lambança legislativa" pela ministra da Secretaria das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

Um dos desdobramentos da crise foi a decisão de Motta de romper relações com o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), nesta semana. Durante a tramitação do projeto, Lindbergh fez duras críticas à nomeação do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) para a relatoria e mencionou o presidente da Câmara em diferentes ocasiões.

Alcolumbre, por sua vez, manifestou revolta com a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de indicar o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do Senado defendia a escolha do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), seu aliado, para a vaga.

Como mostrou o Estadão, Alcolumbre não aceitou a decisão de Lula. "Vou mostrar ao governo o que é não ter o presidente do Senado como aliado", afirmou ele, a portas fechadas, depois de saber que Lula confirmou a escolha do advogado-geral da União sem comunicá-lo antes.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, agradeceu os presidentes da Câmara e do Senado pela aprovação da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. 

"Quero agradecer a cada deputado, deputada, senador e senadora, agradecer aos presidentes Hugo Motta e Davi Alcolumbre. A ausência dos presidentes nada frustra a importante construção e apoio que deram a esse projeto", afirmou em seu discurso.

Segundo ela, não seria possível aprovar o projeto sem a cooperação com o Legislativo.

Em sua fala, ela elogiou o presidente da República por ter cumprido sua promessa de campanha em relação ao IR e afirmou que o petista vai entrar para a história como o presidente que mais isentou impostos.
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