Motivo oficial não foi divulgado, e fiéis manifestam apoio nas redesReprodução / Redes sociais
Publicado 16/12/2025 10:37 | Atualizado 16/12/2025 17:23
O padre Júlio Lancellotti, de 76 anos, foi proibido de usar redes sociais, além de ter a transmissão on-line das missas dominicais realizadas na paróquia suspensa, por determinação do arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer. O sacerdote mantinha um perfil ativo no Instagram, que não será mais atualizado.
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A decisão foi comunicada ao padre Júlio por uma carta recebida na última quarta-feira (10). Durante a missa de domingo (14), ele informou que a transmissão marcou a última realizada pela internet. Segundo rumores, a transferência da paróquia São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, onde ele está por cerca de 40 anos, também pode ser realizada. A informação, no entanto, ainda não tem confirmação.
"Dom Odilo me pediu para dar um tempo. Ele acha que é uma forma de recolhimento e de proteção", disse o religioso à coluna de Mônica Bergamo, na "Folha de S.Paulo". Lancellotti acumula mais de 2,3 milhões de seguidores em sua conta do Instagram.
Nos comentários da última missa transmitida pelo YouTube, fiéis lamentaram. 
"Acompanho semanalmente a missa do padre Júlio Lancellotti aqui de Cascavel/PR. As pregações dele são imprescindíveis para compreender e seguir os ensinamentos e a vida de Jesus. Precisamos da continuidade das transmissões. Bênçãos abundantes e a proteção de Deus ao padre Júlio", escreveu um usuário identificado como Mauriverti Silva.
Um outro usuário também mostrou indignação. "Padre Júlio não pode ser calado por quem quer que seja pois ele é um verdadeiro profeta nestes tempos de desesperança. Ele precisa continuar pregando em favor dos pequenos, transmitindo nas redes sociais. Padre Júlio continue transmitindo! Precisamos da sua voz nas redes sociais."
O motivo oficial do afastamento não foi divulgado. O líder religioso é conhecido pelo intenso trabalho social junto a moradores em situação de vulnerabilidade, muitas vezes enfrentando barreiras impostas por autoridades municipais e estaduais. Ele atua oferecendo acolhimento, alimento, orientação e apoio espiritual, além de denunciar injustiças sociais e violações de direitos humanos. 
O DIA tenta contato com a Arquidiocese de São Paulo. O espaço segue aberto para manifestações. 
Posicionamento do padre Júlio
"Reafirmo minha pertença e obediência à Arquidiocese de São Paulo", disse o padre Júlio Lancelotti ao comentar sobre não poder mais transmitir missas ao vivo e se afastar temporariamente das atividades nas redes sociais.

Por meio de nota, o religioso acrescentou que as "redes sociais não estão movimentadas por um período de recolhimento temporário".

Coordenador da Pastoral do Povo da Rua, o padre seguirá na Paróquia São Miguel Arcanjo, no Belenzinho, Zona Leste de São Paulo, onde atua há quase 40 anos. Seu foco é pastoral com populações de rua, adolescentes infratores e crianças com HIV.

Quem é o padre Júlio Lancelotti

Júlio Lancelotti é uma figura conhecida nacionalmente pelo trabalho que realiza, há mais de 40 anos, com a população em situação de rua na capital paulista.

Paulistano nascido no bairro do Brás, Lancellotti é também o padre responsável pela Paróquia de São Miguel Arcanjo, da Mooca, desde 1986, onde começou o trabalho pastoral com populações de rua, menores infratores e crianças com HIV.

O padre tem sido alvo frequente de criticas de políticos nas redes sociais pelo trabalho com a população de rua.

Tachado de "padre esquerdista" por políticos de direita, Júlio Lancellotti chegou a ser alvo de ataques nas redes sociais e de ameaça de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara

Após uma dessa onda de ataques, ele chegou a receber ligação de apoio do papa Francisco, que morreu em abril deste ano. O pontífice recomendou que ele não desanimasse do trabalho para auxílio dos pobres, mesmo diante de todas as dificuldades.

Um dos políticos mais próximos de Lancelotti é Guilherme Boulos, secretário-geral da Presidência no governo Lula.
 
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