Publicado 23/01/2026 12:14
O empresário Sérgio Nahas foi preso na Bahia quase 24 anos depois de ter matado a esposa, Fernanda Orfali, em São Paulo. Ele foi detido no último sábado, 17, em Praia do Forte, em Salvador.
O crime ocorreu no apartamento onde o casal morava, em Higienópolis, na região central de São Paulo, em maio de 2002. Fernanda foi atingida por um disparo no peito após ela pedir separação.
PublicidadeO crime ocorreu no apartamento onde o casal morava, em Higienópolis, na região central de São Paulo, em maio de 2002. Fernanda foi atingida por um disparo no peito após ela pedir separação.
Segundo a investigação, ela havia confrontado o marido pelo uso abusivo de cocaína e um relacionamento amoroso que ele mantinha com uma travesti.
Ao Estadão, a defesa disse que ele está com problemas de saúde e não tinha interesse de ficar foragido. A advogada do empresário, Adriana Machado Abreu, afirmou que Sérgio Nahas mora na Bahia desde o ano passado. Segundo ela,ele é uma "pessoa íntegra, idosa, com questões graves de saúde e que não tinha interesse em ficar foragido."
O sistema de monitoramento por câmeras da Praia do Forte, na Bahia, um dos destinos turísticos mais badalados do País, foi determinante para prender o empresário paulista.
A primeira condenação do empresário pelo crime só ocorreu 16 anos após o assassinato de Fernanda, em 2018, pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, após uma série de recursos da defesa.
Ele foi condenado em júri popular por homicídio simples, sem qualificadoras, e sentenciado em primeira instância à pena de sete anos de prisão em regime semiaberto.
Nahas recorreu da condenação em liberdade. O Ministério Público também discordou da pena e pediu que a pena fosse elevada. A Justiça atendeu ao pleito do MP e, em 2021, elevou a condenação para 8 anos e 2 meses de prisão. No ano em que o crime ocorreu, não havia a Lei do Feminicídio (2015), nem mesmo a Lei Maria da Penha (2006).
Nahas permaneceu em liberdade enquanto recorria da condenação às instâncias superiores. Quando o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal, a Corte confirmou a pena do empresário e determinou o cumprimento imediato, inicialmente em regime fechado. A defesa ainda apresentou novos embargos até a condenação transitar em julgado.
Em junho de 2025, o juiz da 1ª Vara do Júri na capital, Roberto Zanichelli Cintra, expediu o mandado de prisão em desfavor do empresário e determinou a inclusão dele na Difusão Vermelha da Interpol, medida que permite que autoridades de outros países possam prendê-lo caso ele tivesse deixado o Brasil.
Para o advogado da família Orfali, Davi Gebara, o alto poder aquisitivo de Nahas permitiu que a tramitação do processo se alongasse na Justiça, por meio da interposição de recursos. "Observamos um padrão de atraso processual, com apresentação sucessiva de recursos e embargos", afirmou.
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