Lula participou da festa de aniversário do PT em SalvadorDivulgação/ PT/ Ricardo Stuckert
Publicado 08/02/2026 08:03 | Atualizado 08/02/2026 08:34
Bahia – O presidente Lula (PT) defendeu, neste sábado (7), que a militância petista busque apoio dos evangélicos ao partido. Em discurso na cerimônia de comemoração dos 46 anos do PT, em Salvador (BA), o chefe do Executivo ainda alegou que a maior parte dos evangélicos recebe recursos governamentais.
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"Então o PT precisa ir para a periferia, o PSB tem que ir para a periferia, o PCdoB tem que ir para a periferia e o PDT tem que ir para a periferia. E o povo evangélico? 90% dos evangélicos ganham benefícios do governo. Nós não podemos esperar que um pastor fale bem de nós. Nós temos que ir lá (nas igrejas) e conversar", disse.
O petista considerou que "não há como perder" para os adversários, mas ressaltou a importância da narrativa política.
"O que vai ganhar essas eleições é a nossa narrativa política", afirmou. "Vamos ter que construir o discurso político, ainda não está pronto, mas vamos ter que preparar, porque é uma guerra política", prosseguiu.

"Nós temos que escrachar cada mentira que eles contarem, nós temos que desmontar, e temos que provar e ter coragem de debater A gente não pode ficar quieto, nós temos que ser mais desaforados, porque eles são desaforados. E nós não podemos ficar quietinhos. Não tem essa mais de 'Lulinha paz e amor', não tem essa mais. Essa eleição vai ser uma guerra e nós vamos ter que estar preparados para ela", acrescentou.

O presidente ainda disse que há muita mentira e desinformação e chamou PT, PCdoB, PSB, PDT "e quem mais a gente conseguir trazer" para atuar contra o que chamou de fake news.

"Essa luta é se a gente vai permitir que esse País continue a ser democrático ou se vai ser um país fascista, como eles queriam construir. O que está em jogo é a democracia desse País, o que está em jogo a manutenção de instituições que nós temos muitas críticas, mas que são o que garante a democracia desse País", ressaltou.

O chefe do Executivo também disse que o Brasil é solidário ao povo cubano e defendeu que o problema da Venezuela seja resolvido pelo povo daquele país. Ele também celebrou as relações com a China, maior parceira comercial do Brasil.

"Nosso País é solidário ao povo cubano, que é vítima de um massacre e de especulação dos Estados Unidos contra eles", disse. Ele defendeu que o PT "encontre um jeito" de ajudar Cuba.

"Nós temos que dizer em alto e bom som que o problema da Venezuela tem que ser resolvido pelo povo venezuelano, e não pelos Estados Unidos ou pelo (Donald) Trump", afirmou na sequência.
As falas são feitas pouco antes de uma viagem oficial que Lula fará a Washington, para se encontrar com o presidente norte-americano, Donald Trump, e discutir assuntos de interesse comum dos dois países, como o tarifaço.

O petista ainda pontuou que "toda reunião" internacional visa evitar que os países vendem terras raras e minerais críticos à China, e destacou a parceria comercial sino-brasileira. "Sou muito grato à parceria que o Brasil tem com a China, porque é uma parceria respeitosa e exitosa", elogiou.
Economia
O presidente alegou que a oposição não terá argumentos nas urnas se comparar os feitos econômicos do governo. No discurso, Lula citou a fala feita no mesmo evento na véspera pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e comemorou a queda da inflação, o aumento do salário mínimo e os recordes do Ibovespa.

Haddad não estava presente no evento. O ministro estava em São Paulo, onde lançava o livro "Capitalismo superindustrial".

Na sua fala, o petista chegou a brincar, dizendo que, "quando a Bolsa cresce, a gente não ganha nada". Mas emendou dizendo que quando o mercado se desvaloriza, o País todo perde. "É assim. Nós só ficamos com o prejuízo", disse.

Lula também disse que ainda não está contente com a isenção de imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês porque entende que "salário não é renda", mas reconheceu que mudanças nesse sentido só são possíveis com a construção de uma ampla aliança política. "Acordo político é uma coisa tática", afirmou

O presidente ressaltou ainda feitos na área de educação, saúde e infraestrutura, e disse que é a narrativa petista que vencerá a eleição. "Não há como perdermos para os adversários", disse.

Alckmin

O mandatário voltou a fazer elogios ao vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), em meio a dúvidas sobre a manutenção da chapa na disputa à reeleição na eleição deste ano. 

"Quando é que vocês imaginaram que eu e Alckmin íamos estar juntos? Nunca. Então, veja, o dado concreto é que isso mostra que a política é uma arte", destacou Lula, chamando o vice para se levantar ao lado dele. Alckmin estava usando uma meia vermelha e chegou a fazer o sinal de "L" com os dedos.

Além de Alckmin, estava no palco, mais ao fundo, o presidente do PSB e prefeito do Recife, João Campos.

"Na minha vida as coisas só acontecem porque Deus quer que aconteçam. E o Geraldo Alckmin é uma dessas coisas que Deus fez acontecer na minha vida, porque é um homem extraordinário, que eu respeito e admiro", completou Lula.

O petista defendeu alianças para vencer as eleições e disse que o PT "não está com essa bola toda". "Nós temos Estados em que nós precisamos compor", ressaltou. E disse que depois do eventual próximo mandato, "acabou". "Não se preocupem que eu não quero mais mandato, não. Depois desse, acabou."

Lula reconheceu que o PT errou na abordagem no Estado de São Paulo, uma das gêneses do partido. "Pensam que não sofro com situação do PT em São Paulo? O que aconteceu?", disse o presidente.

Deputados

O presidente disse também que a "política não é profissão" e chamou atenção de parlamentares do PT e aliados, ressaltando que hoje a política "apodreceu" e está "muito mercantilizada". 

"A verdade é que o orçamento secreto foi o sequestro do orçamento do Executivo para que os deputados e senadores tivessem liberdade de utilizar a mesma quantidade de dinheiro que sobra para o governo federal", disse Lula.

"Esse ano é quase R$ 60 bilhões. Se vocês acham que isso é normal, tudo bem. Para mim não é normal. E o que eu acho grave é que o PT votou favorável e ninguém reclama", disparou.

Ao longo do discurso, o chefe do Executivo resgatou a história do PT, dizendo que não tem similaridade com o partido no mundo, e lembrou que ele nasceu "com muita adversidade". Disse ainda que ele pessoalmente é um "social-democrata revolucionário" e criticou brigas internas na sigla, dizendo que elas acabam com a legenda. "O partido é que tem de ser forte, não é o Lula."

Na sequência, afirmou que o PT não pode "ir para a vala comum da política deste País". "Precisamos ter capacidade de fazer avaliações das coisas que a gente não consegue fazer." Disse também que PT, PSB, PCdoB e aliados têm de ir para a periferia para falar sobre os problemas reais do povo.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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