Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do BrasilAntônio Cruz/Agência Brasil
Publicado 09/02/2026 11:33 | Atualizado 09/02/2026 13:24
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, agradeceu ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pelo apoio à condução do BC para o caso Master, que teve liquidação extrajudicial decretada em novembro.
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"Eu agradeço a Deus de estar passando por um processo como esse tendo Lula como presidente", afirmou, durante evento organizado pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo. Ele citou declarações em que Lula reforçou a autonomia do BC e da Polícia Federal.

Segundo Galípolo, o apoio fornece "certeza e tranquilidade" para o trabalho de supervisão, além de ajudar pela experiência de Lula.

"O que essa experiência traz para que a gente consiga desenvolver nosso trabalho é muito importante", destacou o presidente do BC.
Juros
O presidente do Banco Central reconheceu que houve uma "melhora" no cenário inflacionário desde o momento em que a autoridade monetária optou por interromper a escalada da Selic e mantê-la em 15% por um período "bastante prolongado".
"Existe a necessidade de se reconhecer que houve melhora entre período que concluímos a alta de juros e agora. Existe melhora nas expectativas e na inflação corrente", afirmou.

Galípolo explicou que a inflação se "comportou melhor" em um ambiente de Selic restritiva do que se esperava, mas que a atividade econômica também se mostra resiliente.

"Temos evidências de mercado de trabalho apertado", ressaltou o presidente do Banco Central.

Ele acrescentou que a política monetária atravessou diferentes momentos. Primeiro, houve a elevação de juros, em um cenário em que as expectativas de inflação "namoravam" com o nível de 6%. Naquela época, a inflação de alimentos chegou perto de 17%, lembrou.

'Parcimônia e cautela'

O presidente do Banco Central reiterou, contudo, a posição de "parcimônia e cautela" na política monetária, para garantir a convergência da inflação à meta. Apesar de ver "melhora" na situação inflacionária, Galípolo destacou que as expectativas acima da meta "incomodam bastante", enquanto os dados ainda indicam uma economia resiliente.

"Esta não é a volta da vitória, porque há dados mostrando resiliência econômica", afirmou o presidente do BC.

Galípolo explicou que os riscos associados à política econômica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se materializaram, mas não conforme o esperado.

Segundo ele, surgiu um cenário em que há uma "correlação inusitada" em momentos de aversão ao risco, que agora se revela benigna para mercados emergentes. "Isso é contraintuitivo ao que espera", ressaltou.

Neste ambiente, o Brasil é visto "como proteção" para investidores por menor ligação com os Estados Unidos no cenário tarifário, disse Galípolo.
Tarifas
O presidente do Banco Central também disse que o Brasil continuou atraindo investimentos em meio a preocupações no mercado sobre as tarifas comerciais levantadas pelo governo norte-americano por ser visto como uma economia menos exposta aos Estados Unidos.
"O Brasil, por ser menos 'lincado' com os Estados Unidos e ter mais diversidade do ponto de vista dos seus parceiros comerciais e ser exportador de commodities, passou a ser visto como uma proteção numa eventual escalada tarifária e de guerra comercial", comentou.

Galípolo observou que é difícil para o investidor escapar de ativos norte-americanos, dada a valorização das ações negociadas em Nova York, puxada pela transformação da inteligência artificial, e por o mercado de títulos públicos norte-americanos ser muito superior a qualquer outro. Porém, pontuou o presidente do BC, esses investimentos em ativos americanos vêm ocorrendo agora com um maior hedge (proteção) contra uma eventual desvalorização do dólar, o que é um cenário favorável a mercados emergentes.

Ele ponderou que a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) mitigou um pouco a aversão ao risco nos mercados, por trazer a percepção de que a condução do banco central norte-americano será técnica e preocupada com o dólar.
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