Publicado 12/02/2026 20:14
O aceno do governo Donald Trump em prol de investir em processamento de minerais críticos dentro do Brasil foi visto de forma positiva dentro do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
PublicidadeO secretário de Estado adjunto Caleb Orr, responsável por Assuntos Econômicos, Energéticos e Comerciais, indicou nesta quarta-feira, 11, que os Estados Unidos estavam dispostos a ter uma parceria sólida com o Brasil e consideravam financiar, para além da extração, capacidades de processamento e refino de minerais críticos, como as terras raras, dentro do País.
Segundo o diplomata do Departamento de Estado americano, esse seria um "próximo passo natural", já que o governo dos EUA já aportou recursos em ao menos dois projetos de extração de terras raras leves e pesadas em Goiás.
Ao comentar a declaração, um interlocutor presidencial considerou muito positiva a manifestação do diplomata, aliado de confiança do secretário de Estado, Marco Rubio, por avançar no sentido da convergência de interesses.
O Palácio do Planalto entende que a Casa Branca quer colocar uma parceria sobre minerais críticos no topo da agenda entre os países.
Há dúvidas, no entanto, se haveria tempo para entabular todas as conversas técnicas necessárias e assinar algum acordo ou entendimento no próximo mês, quando os dois presidentes devem se reunir nos EUA.
Quem acompanha as negociações afirma que a burocracia americana atua mais a reboque das demandas de Trump e que a visita a Washington pode configurar um impulso maior para disparar tratativas, em vez de concluí-las.
Representantes do setor privado e do governo americano no Brasil programam um seminário para discutir parcerias em minerais críticos, em São Paulo, também em março.
A viagem está no radar dos governos desde o fim de 2025, depois que ambos se encontraram na Malásia e conversaram por telefone. Em nova chamada, no mês passado, eles combinaram que o encontro ocorreria em Washington. Mas, até o momento, carece de data oficial.
Nas últimas semanas, o governo brasileiro acompanhou o lançamento de uma ofensiva americana para formar uma aliança de países próximos e criar parcerias com detentores de reservas de minerais críticos, em reação à dominância da China no setor.
Pequim concentra cerca de 70% da capacidade de processamento global e, na disputa comercial com os EUA, decidiu aplicar restrições à exportação que afetaram a indústria americana. Por isso, Trump deflagrou uma busca por aliados dispostos a formar uma cadeia de suprimentos alternativa, que considere segura.
O Palácio do Planalto rejeitou aderir à iniciativa americana, vista como forma de amarrar as reservas brasileiras, sobretudo de terras raras, a segunda maior do mundo.
O governo entende que deve buscar múltiplos acordos direto com vários países, sem critérios de exclusividade no fornecimento de minerais, não se limitar apenas à extração de matéria-prima e, em vez disso, buscar agregar capacidade de processamento e refino no País.
Para um embaixador, é preciso tentar fazer um "encontro" entre o modelo proposto pelos EUA e as diretrizes que o Brasil defende. Os americanos buscaram garantir acesso privilegiado a reservas e formação de preços mínimos, além de escantear a China.
O País ainda não possui uma política nacional de minerais críticos e estratégicos, que está em discussão no Congresso Nacional por meio de projetos de lei. O assunto vem sendo debatido também dentro do governo e acompanhado de perto pela chancelaria e conselheiros de Lula.
O assessor especial Celso Amorim disse ao UOL que o Brasil deveria considerar as necessidades de sua indústria e exportar apenas o "excedente".
Outro embaixador afirmou que os interesses da indústria, do comércio e da mineração precisam dialogar e buscar um equilíbrio, levando em conta ainda setores como defesa, transição digital e energética, e a demanda por esse tipo de recurso em tecnologias de ponta.
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