Marinete Silva, mãe de Marielle FrancoReprodução/ TV Globo
Publicado 24/02/2026 10:15 | Atualizado 24/02/2026 10:15
As famílias de Marielle Franco e Anderson Gomes acompanham, nesta terça-feira (24), o início do julgamento dos cinco acusados de envolvimento nos assassinatos da vereadora e do motorista. Pouco antes da sessão na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), parentes das vítimas falaram sobre a expectativa em relação ao desfecho do caso.
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Acompanhe:
 
A mãe de Marielle, Marinete Silva, afirmou que a família confia em uma decisão dura contra os réus.
"É um momento difícil, mas também de muita esperança. Eu acho que, diante do que a gente tem vivido nesses oito anos, além de uma experiência de dor que não é possível, é preciso dizer e significar o que é isso", disse.
"A gente confia muito na situação. Eu tenho dado resposta para o Brasil e para o mundo. É na hora de a gente – e também o Estado brasileiro e o estado do Rio de Janeiro, principalmente – ter uma resposta positiva em relação aos mandantes dessa barbárie", acrescentou.
Veja o vídeo:
 
O pai da vereadora, Antônio Francisco, também se emocionou ao comentar o início do julgamento:
"Todos os cinco não deram nenhuma chance de defesa a Marielle e Anderson, mas hoje eles estão com uma banca de advogados defendendo eles para que não sejam condenados pelo que fizeram. Espero e confio cegamente na Primeira Turma do STF, que são juízes com grande saber jurídico e não vão se deixar levar pelas falácias dos advogados que defendem os réus".
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, afirmou que o julgamento representa não apenas um passo para a família, mas também um marco para a democracia.
"Essa resposta também, que pode sair daqui hoje ou amanhã, é para a democracia, não uma resposta só pela Mari, e pela minha família, pela família do Anderson [...], para que fique exemplo de que nenhum crime pode ficar impune", declarou.

Luyara Franco, filha de Marielle, classificou o julgamento como "um marco no Brasil". "O Estado brasileiro precisa dar resposta para a sociedade, para a democracia, que a gente não pode deixar impune. A justiça plena para a minha mãe e para o Anderson passa pela responsabilização, passa pela não repetição e pela reparação para nossas famílias", ressaltou.
A esposa de Anderson Gomes, Agatha Arnaus, lembrou o longo tempo de espera por respostas e defendeu que a responsabilização alcance também quem ordenou o crime.

"Justiça não é um sentimento, é um processo. Ela precisa ser concreta [...]. Oito anos é tempo demais para quem espera por resposta. O Estado tem que alcançar também quem ordena crime", afirmou.
Em duas sessões, os quatro ministros do colegiado definirão se cinco pessoas são culpadas ou inocentes diante do que apontou a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Serão julgados dentro da ação que analisa o plano para mandar executar Marielle:

- o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Domingos Brazão;
- o irmão dele e ex-deputado, Chiquinho Brazão;
- o delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa;
- o ex-major da polícia Militar Ronald Paulo de Alves Pereira; e
- Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão.
 
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