STF condenou, nesta quarta-feira (25), os réus pela morte de Marielle Franco e AndersonTomaz Silva/Agência Brasil
Publicado 25/02/2026 15:38 | Atualizado 25/02/2026 17:53
A Anistia Internacional no Brasil reagiu à condenação no Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, dos acusados de mandar matar Marielle Franco e Anderson Gomes. O julgamento foi concluído na tarde desta quarta-feira (25). A instituição considerou a decisão um marco no combate à impunidade política e pediu que o resultado fosse convertido em proteção para todos os defensores de direitos humanos no país.

"Após oito anos de mobilização social exigindo respostas sobre quem mandou matar Marielle Franco, a justiça brasileira chegou a uma conclusão [...]. O caso de Marielle Franco e Anderson Gomes, assassinados em 14 de março de 2018, mobilizou indignação social em todo o planeta", iniciou a nota da Anistia Internacional. Em seguida, a instituição relembrou que, durante os oito anos de espera, a Anistia e outros coletivos reuniram vozes ao redor do mundo que exigiram justiça pelo crime.

"A condenação criminal de executores e mandantes não é suficiente: essas violências não podem se repetir. Seguiremos o lado de defensores de direitos humanos em todo o Brasil, para que ninguém mais tenha sua luta e sua vida cerceadas", disse em outro trecho da nota.

Chiquinho Brazão (ex-deputado federal), Domingos Brazão (conselheiro do Tribunal de Contas do Estado-RJ) e Ronald Pereira (major da Polícia Militar) foram condenados pelo assassinato de Marielle e Anderson e pela tentativa de assassinato de Fernanda Chaves; Rivaldo Barbosa (delegado da Polícia Civil) foi condenado por corrupção passiva e obstrução de justiça; e Robson Fonseca (ex-assessor de Domingos no TCE-RJ) por participação em organização criminosa.

Anistia Internacional aponta falhas na justiça do estado

Para a instituição, o caso Marielle Franco revelou uma série de falhas no estado do Rio de Janeiro. "Em primeiro lugar, o estado falhou em proteger a vida de Marielle, Anderson e Fernanda. Marielle era uma defensora de direitos humanos, uma mulher negra, LGBTIA+, mãe, da favela da Maré, que dedicava sua vida à luta por justiça. Defender direitos não pode custar vidas", disse.

A nota também citou revelações ao longo dos anos sobre o modus operandi da segurança pública do Rio de Janeiro, como corrupção policial, obstrução de justiça e atuação do crime organizado dentro do próprio poder público: "Não haverá justiça de fato, e medidas de não repetição, sem que estes problemas sejam resolvidos. O estado não pode permitir, muito menos naturalizar, que seus agentes cometam crimes. É preciso que sejam garantidos julgamentos céleres, justos, independentes e transparentes, com proteção eficaz para familiares, testemunhas, comunidades, defensores de direitos humanos, advogados, promotores e outros envolvidos nos processos".

Leia a nota na íntegra abaixo:
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