Publicado 01/04/2026 14:49 | Atualizado 01/04/2026 14:50
O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma investigação para apurar se houve irregularidades na participação de funcionários públicos no desfile de carnaval que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No dia 24 deste mês, o tribunal solicitou à Casa Civil e à Secretaria de Comunicação Social (Secom) o envio de esclarecimentos sobre a participação dos servidores no evento.
PublicidadeO pedido de investigação foi protocolado por parlamentares do Partido Novo, que alegam que servidores do governo federal foram utilizados de forma irregular na organização de um carro alegórico em que a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, desfilaria no carnaval do Rio de Janeiro.
O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói previa a participação de Janja na última alegoria, o carro "Amigos do Lula". A primeira-dama decidiu de última hora que não subiria na alegoria para evitar contestações que atingissem o presidente. Ela foi substituída pela cantora Fafá de Belém. Acadêmicos de Niterói acabou rebaixada no Carnaval carioca
Em nota, na ocasião, a primeira-dama disse que "mesmo com toda segurança jurídica" de que poderia participar do desfile, optou por não fazê-lo "para estar ao lado da pessoa que ela mais ama na vida". Ela assistiu ao desfile ao lado do presidente Lula e do ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD).
O TCU determinou que a Casa Civil e a Secom enviem informações e documentos detalhando especificamente todos os servidores da Presidência da República (incluindo cerimonial, segurança, assessoria e comunicação) que viajaram para o Rio entre 1.º e 18 de fevereiro de 2026, "com o propósito de acompanhar ou dar suporte" a Janja, Lula ou ministros de Estado durante o evento.
O Tribunal também solicitou que as pastas enviem os custos totais do Estado com o deslocamento dos funcionários, "discriminando os gastos com diárias, passagens aéreas e terrestres, hospedagem e eventuais horas extras".
Além disso, o TCU pediu esclarecimentos se servidores do cerimonial da Presidência foram requisitados para tarefas como enviar convites, organizar listas de convidados e coletar medidas para a confecção de fantasias do carro "Amigos do Lula".
Na ação do Partido Novo, protocolada antes do carnaval, havia um pedido para que o desfile fosse cancelado. O TCU destacou que o pedido de medida cautelar para impedir o desfile perdeu validade, já que o evento já havia sido realizado quando o Tribunal acolheu a representação.
A ação foi movida pelos deputados federais do Novo Adriana Ventura (SP), Gilson Marques (SC), Luiz Lima (RJ), Marcel van Hattem (RS), Ricardo Salles (SP) e o senador Eduardo Girão (CE)
O processo, sob relatoria do ministro Augusto Nardes, foi anexado a outra investigação sobre repasses da Embratur à mesma agremiação carnavalesca.
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