Publicado 11/04/2026 11:14
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) deu o primeiro passo para resgatar uma dívida histórica. Na quinta-feira, 9, a instituição divulgou um "pedido de desculpas à sociedade" por ter comprado cadáveres de pacientes internados no Hospital Colônia de Barbacena, no interior do estado. Fundada em 1903, a unidade de tratamento psiquiátrico ficou conhecida pelos maus-tratos impostos aos internos.
PublicidadeDurante o seu funcionamento — descontinuado ao longo das décadas de 1980 e 1990 —, o hospital colônia registrou cerca de 60 mil mortes. Muitos dos pacientes foram enterrados como indigentes ou tiveram os corpos vendidos a instituições de ensino de Medicina.
"Em respeito ao direito à verdade, à justiça e à memória, a Universidade Federal de Minas Gerais pede desculpas à sociedade brasileira por essa prática que aviltou os corpos e a dignidade de pessoas falecidas no Hospital Colônia de Barbacena", destaca um trecho da declaração assinada em 18 de março pela então reitora Sandra Regina Goulart Almeida.
'Holocausto brasileiro'
As atrocidades cometidas no Hospital Colônia de Barbacena se tornaram públicas com a publicação do livro Holocausto brasileiro, da jornalista Daniela Arbex. Na obra, a autorua relata que 1.853 cadáveres de pacientes foram comercializados para faculdades der Medicina no período de 1969 a 1981.
A unidade recebia pacientes internados de forma compulsória, mas apenas 30% deles apresentava diagnóstico de doença mental. Havia casos de homossexuais, militantes políticos e até mulheres que perderam a virgindade antes do casamento levados para o hospital colônia como forma de punição.
Reparação
O pedido de desculpas faz parte do compromisso assumido pela UFMG com o Ministério Público Federal (MPF) para adotar medidas de reparação. A Faculdade Medicina vai criar espaços de memória e implementar atividades que ressaltem a importância dos direitos dos pacientes. Ficou acertado ainda que os livros com registros dos corpos recebidos do hospital colônia passarão por um processo de restauro.
A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão também abriu inquérito para investigar responsabilidades sobre as internações compulsórias no hospital colônia
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