Em discurso em Hanôver, Lula disse que o mundo terá 'inveja' da relação entre Brasil e AlemanhaRicardo Stuckert/PR
Publicado 20/04/2026 07:49 | Atualizado 20/04/2026 08:42
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reiterou a defesa do multilateralismo ao participar da inauguração do estande brasileiro na Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, nesta segunda-feira, 20. Ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, Lula disse que o mundo vive um momento "conflagrado", em que "o multilateralismo está sendo destruído" para a "tentativa da introdução do unilateralismo".

Ele afirmou também que a "harmonia constituída depois da Segunda Guerra Mundial para estabelecer a paz e a harmonia entre os países está sendo jogada fora".

"Não é possível que a gente não tenha noção de nós que precisamos mudar essa situação mundial", disse Lula, ao fazer um apelo para "todos aqueles que defendem o multilateralismo, para todos aqueles que não querem guerra, para todos aqueles que querem paz, para todos aqueles que querem construir e não destruir, para todos aqueles que querem defender a vida e não defender a morte, para todos aqueles que pensam no futuro da humanidade humana".
Publicidade
"Vejam que eu falei humanidade humana, porque a humanidade está virando algoritmo", afirmou o presidente, que em nenhum momento do discurso fez referência aos Estados Unidos ou ao presidente norte-americano, Donald Trump.

Relação Brasil-Alemanha 
Sobre a Alemanha, Lula disse que a relação do Brasil com a potência europeia "nunca mais será a mesma" após a feira e que o resto do mundo terá "inveja" da parceria entre os dois países.

"Temos muito interesse em fazer com que a nossa aliança com a Europa e, sobretudo, com a Alemanha, seja uma aliança cada vez mais produtiva, cada vez mais eficaz e cada vez mais capaz de proporcionar ao povo alemão e ao povo brasileiro perspectiva de um futuro mais promissor", afirmou o presidente da República.
Mitos sobre biocombustíveis 
O presidente defendeu o agronegócio brasileiro e pediu que os alemães não acreditem em "mitos" sobre a produção de biocombustíveis no País. 

Lula afirmou que há uma "mitologia dita por alguns que são contra a inovação tecnológica na área de combustível, de que o combustível brasileiro atrapalha a produção de alimentos". O presidente disse que, "se alguém quiser acreditar nisso, convido a visitar o Brasil".

"Ninguém seria louco de substituir a produção de comida pela produção de biodiesel. Ninguém come diesel ou gasolina, as pessoas comem comida. Nós sabemos da importância de fazer com que os dois setores possam se desenvolver concomitantemente", afirmou o petista.

Lula reforçou que "não há hipótese de o Brasil deixar de produzir alimentos ou de ocupar a Mata Atlântica ou a Amazônica por causa da produção de biocombustível". Afirmou que "muitas vezes há desinformação e documentos técnicos que não condizem com a realidade".

"Disse a Merz e vou repetir aos empresários: qualquer dúvida que tiver com relação à relação com o Brasil, ao biocombustível, à transição energética, aos mineiras críticos e às terras raras, que não se deixem seduzir pela primeira opinião", declarou o presidente da República.

No domingo, Lula já havia dito na abertura da Feira Industrial de Hannover que "é preciso combater narrativas falsas a respeito da sustentabilidade" da agricultura brasileira.

Lula afirmou que o "transporte é hoje um dos principais gargalos de descarbonização da Europa" e pediu que a União Europeia não crie barreiras contra os biocombustíveis. O petista disse que "estão na mesa" do bloco aduaneiro "propostas que ignoram práticas de sustentabilidade no uso do solo brasileiro".

"Também entrou em vigor em janeiro mecanismos unilaterais de cálculo de carbono que desconsidera o baixo nível de emissões no processo produtivo brasileiro baseado em fontes renováveis. Essas iniciativas podem dificultar a oferta de energia limpa para os europeus em momento crítico. A elevação de padrões ambientais é necessária, mas não é correto adotar critérios que ignorem outra realidade e prejudique os produtores brasileiros", declarou o presidente.
Transição energética 
Lula também falou da transição energética, ao citar a mistura de biocombustíveis com combustíveis fósseis no Brasil. "Nós temos 30% de etanol misturado à nossa gasolina e 15% de biodiesel misturado no nosso diesel."

Mudança de patamar do Brasil e minerais críticos 
Lula voltou a falar que o Brasil está disposto a "deixar de ser um país em vias de desenvolvimento". Falou sobre a exploração de minerais críticos justamente como um caminho para o País se tornar uma economia rica.

"Oferecemos oportunidades crescentes em setores decisivos para o futuro. Estamos ampliando em minerais críticos e terras raras, essenciais para a transição energética digital. Não aceitaremos modelos que reduzam nosso território à extração de recursos voltados a atender apenas demandas externas. Vamos assegurar que as riquezas do Brasil sirvam ao desenvolvimento da população e das empresas brasileiras", disse o presidente brasileiro diante de empresários e políticos brasileiros e alemães.

Processos migratórios 
Ele ainda exaltou os processos migratórios e disse que aqueles que defendem a democracia e o multilateralismo são bem-vindos no Brasil: "Um país criado por imigrantes."
Leia mais