Maria Teresa Fernandez Piedade estuda os 'rios voadores' e o impacto de hidrelétricas na biodiversidade amazônica há cinco décadas.Érico Xavier / Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas
Publicado 24/04/2026 18:39
A bióloga Maria Teresa Fernandez Piedade, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), é a vencedora deste ano do Prêmio Almirante Álvaro Alberto, maior premiação da ciência brasileira. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (24) pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), que concede a honraria em parceria com a Marinha do Brasil.

Criado em 1981, o Prêmio Almirante Álvaro Alberto é atribuído anualmente ao pesquisador que tenha se destacado pela realização de obra científica ou tecnológica de reconhecido valor. A cerimônia de entrega será no dia 7 de maio, no Rio de Janeiro, quando Maria Teresa receberá um diploma, uma medalha e um prêmio de R$ 200 mil em dinheiro.
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Pesquisa
Maria Teresa desenvolve estudos sobre a Amazônia há quase 50 anos. Atualmente, é docente dos programas de pós-graduação em Ecologia e Botânica do Inpa e lidera o grupo de pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (Maua).

O desejo de trabalhar na região amazônica, segundo a bióloga, surgiu logo no início da graduação, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Paulo. "Naquela época era basicamente um sonho", lembra a pesquisadora.

O plano se tornou realidade a partir de uma especialização no Inpa. "Sempre gostei de água. Fiz uma primeira viagem para o Rio Negro e, naquele momento, decidi que era nos rios que iria trabalhar", disse.

Maria Teresa é mestra e doutora pelo instituto e atua como pesquisadora efetiva desde 1988. Ao longo da carreira, também lecionou como professora convidada em diversas instituições e participou de cooperações internacionais, como a parceria Brasil–Alemanha. No cenário nacional, integrou o Conselho Nacional de Zonas Úmidas do Ministério do Meio Ambiente e o Diagnóstico Brasileiro de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos.

Seu principal objeto de estudo são os efeitos da variação nos níveis de água durante as cheias e vazantes dos rios. "A água sobe e desce ao longo do ano, transformando os sistemas de maneira única, gerando adaptações de organismos e influenciando as cadeias alimentares", explica.

A bióloga também analisa mudanças causadas por ações humanas, como a construção de barragens. "O que temos encontrado é que, 30 anos após a Hidrelétrica de Balbina, as florestas vêm morrendo gradualmente em função da falta de regularidade no suprimento de água", afirma, em referência à usina no Rio Uatumã, no Amazonas.

A pesquisadora reforça a importância dos cursos d'água para o país e alerta para uma corrida contra o tempo e contra ações humanas deletérias que aprofundam a degradação ambiental.

''A sociedade brasileira depende de todo o balanço hídrico da região amazônica. Os corpos d'água e a floresta formam um conjunto que bombeia a água, que se transforma em rios voadores que vão para o Sul e Sudeste'', destaca.

Para a bióloga, as pesquisas são fundamentais para designar áreas de preservação e entender a fragilidade desses sistemas.
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