Alckmin fez referência ao relatório do projeto que estabelece o marco regulatório das terras raras Cadu Gomes/VPR
Publicado 05/05/2026 15:48 | Atualizado 05/05/2026 16:03
O vice-presidente da República Geraldo Alckmin disse que a ida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, nesta semana, será uma boa oportunidade para esclarecer informações ao presidente norte-americano, Donald Trump, como as relacionadas ao Pix, e buscar um bom entendimento com aquele país. Depois de meses de negociação, a reunião de Lula com Trump está prevista para ocorrer nesta quinta-feira (7), em Washington.

"Estou muito confiante nessa ida do presidente Lula e nesse encontro com o presidente Trump", disse Alckmin em entrevista à GloboNews. Ele defendeu que o governo brasileiro precisa deixar claro também que os EUA têm superávit com o Brasil, lembrando que, embora sejam o terceiro parceiro comercial do Brasil, são os maiores investidores no País.

Segundo Alckmin, o presidente Lula tem colocado que não há tema proibido: "Então, vamos conversar sobre big techs, terras raras, data centers, política tarifária e não tarifária. Você tem aí uma agenda importante".

Sobre as discussões em torno das terras raras brasileiras, Alckmin disse que esse é um tema importante que "com certeza o presidente Trump vai colocar na mesa". Ele lembrou que o Brasil é o segundo país com a maior quantidade de reservas de terras raras, 23%: "E olha que 70% a análise geopolítica ainda é superficial. Podemos ter uma boa surpresa e ter porcentual ainda maior. O Brasil tem um potencial enorme".

Alckmin ainda fez referência ao relatório do projeto que estabelece o marco regulatório das terras raras, que está na Câmara: "Queremos que todos venham investir no Brasil. Não limitamos investimento. E o que queremos também é não ser exportador de commodity, ou seja, agregar valor, estimular que esses minerais estratégicos tenham seu refino aqui no Brasil", defendeu.

Sobre big techs - grandes empresas de tecnologia -, Alckmin disse que o governo brasileiro quer que os investimentos americanos cresçam no País: "O que o Brasil fez de regulação acho que ninguém é contra, que é o ECA digital, é proteger criança, a família. Estamos abertos ao diálogo", completou.

Indagado sobre como o governo deverá abordar a questão de Cuba com os americanos, Alckmin disse que a política externa brasileira é sempre de respeito à autodeterminação dos povos e de não interferência. Em relação ao crime organizado, ele disse que Lula já levou e levará de novo a Trump a proposta de acordo para combate a organizações criminosas transnacionais.

Desenrola

Sobre o novo programa de renegociação de dívidas, o Desenrola, o vice-presidente disse que ele vai ajudar muitas famílias a saírem da inadimplência, garantindo juros mais baixos e uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abater os débitos: "É um conjunto de medidas de justiça de natureza fiscal", considerou.
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Alckmin aposta em crescimento de Haddad em SP
Vice-presidente afirmou também à Globo News que o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) deve crescer na campanha para o governo de São Paulo. Segundo Alckmin, a diferença de Haddad para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não é grande.

"Temos um bom candidato que é o nosso ministro Haddad, que foi prefeito da capital, foi candidato a governador na última eleição e foi para o segundo turno. Eu acho que, na campanha, ele vai ter muito a mostrar e falar, e vai ter muito a crescer. A diferença não é muito grande", afirmou Alckmin.

Geraldo também foi questionado sobre a rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), que ocorreu no Senado, na semana passada. Ele lamentou a decisão da Casa, que ocorreu pela primeira vez em 132 anos, e indicou que acha pouco provável que haja uma nova indicação de Messias para a Corte.

"Acho pouco provável. Não conversei sobre essa questão, mas lamento que ele (Messias) não tenha sido aprovado. O pior é tudo isso num troca-troca. Coincidentemente, você rejeita um indicado e, no outro dia, vota dosimetria e arquiva Comissão parlamentar de inquérito (CPMI) do Master. Essas coisas não são adequadas", afirmou o vice-presidente.
O vice-presidente disse também que não ouviu de Lula qual será a nova indicação ao Supremo, mas que o presidente está "meditando". Alckmin também defendeu que haja mandato para ministros do STF, e que esse seria um bom tema para uma "reforma do Judiciário".
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