Publicado 11/05/2026 16:44
Brasília - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, defendeu nesta segunda-feira, 11, que magistrados reajam com "resiliência" às críticas e ataques direcionados ao Poder Judiciário. Ele também alertou para a necessidade de defender as instituições "sem idolatrá-las".
Publicidade"Somos profissionais vocacionados. Não desconhecemos as adversidades do nosso tempo. Precisamos ser resilientes diante das incompreensões e dos ataques, por vezes infundados, dirigidos às nossas atividades e às prerrogativas da magistratura", afirmou a representantes de tribunais durante reunião preparatória do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para o 20º Encontro Nacional do Poder Judiciário.
Segundo Fachin, as críticas devem servir para aperfeiçoar a atuação dos juízes. "Podemos fazer mais e melhor, mesmo em tempo de crises, interrogações e dúvidas. Defender as instituições sem idolatrá-las, produzir confiança pública longe do cinismo ou ingenuidade. É possível simultaneamente criticar as instituições para aperfeiçoá-las e preservá-las como patrimônio civilizatório", disse.
O ministro também afirmou que cabe aos magistrados enfrentar tentativas de enfraquecer a credibilidade institucional do Judiciário, para as quais é preciso "ter olhos de ver e ouvidos de ouvir": "O desafio desse momento é impedir que a morosidade, a desigualdade e a descrença fragilizem a confiança da cidadania nas instituições republicanas", justificou.
As declarações ocorrem em um momento de desgaste da imagem do STF após revelações sobre ligações entre ministros e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A Corte também tem sido alvo de críticas recorrentes da direita bolsonarista e de parte do Congresso Nacional.
Segundo pesquisa RealTime Big Data divulgada na última terça-feira, 5, a maior parte dos brasileiros tem desconfianças em relação ao STF: 55% dos entrevistados disseram não confiar na Corte, enquanto 36% afirmaram confiar e 9% não souberam ou preferiram não responder.
Desde que assumiu a presidência do STF, o ministro Edson Fachin tenta implementar um Código de Conduta para os integrantes da Corte, mas enfrenta resistência interna entre colegas do tribunal.
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