O cão comunitário Orelha morreu no início de janeiro de 2026Divulgação
Publicado 12/05/2026 16:22
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) publicou nesta terça-feira (12), após uma análise de quase dois mil arquivos, entre laudos técnicos, vídeos e dados apreendidos, um documento atestanto que os adolescentes investigados e o cão "Orelha" não estiveram juntos na praia no período da suposta agressão. A conclusão levou as Promotorias de Justiça de Florianópolis a requererem ao Judiciário o arquivamento do procedimento que apurava maus-tratos na Praia Brava.
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A manifestação, protocolada na última sexta-feira (8), aponta que houve um descompasso temporal nas imagens de câmeras de segurança utilizadas inicialmente pela polícia. A perícia confirmou que as imagens de um condomínio estavam adiantadas em cerca de 30 minutos em relação ao sistema público de monitoramento. Com a correção, foi possível verificar que, enquanto o adolescente estava próximo do um deck, o cachorro se encontrava cerca de 600 metros de distância.

Doença preexistente

Laudos técnico-científicos e o depoimento do médico-veterinário que atendeu o animal descartaram traumatismos compatíveis com ação humana. A exumação do corpo identificou sinais de osteomielite na região maxilar esquerda — uma infecção óssea grave e crônica. Ainda segundo o MPSC, o animal mantinha capacidade motora normal quase uma hora após o horário presumido da agressão, o que vai contra a tese de que teria retornado da praia debilitado por violência recente.

A investigação também revelou que a morte da cadela "Pretinha", companheira de Orelha, ocorreu poucos dias depois em decorrência da doença do carrapato.

Boatos e monetização

As promotorias destacaram que a versão da agressão surgiu de narrativas baseadas em boatos de redes sociais. Não foram encontrados registros visuais ou testemunhas diretas que confirmassem a presença do cão na faixa de areia no momento do suposto ataque.

Diante das falhas apontadas, o Ministério Público solicitou a remessa dos autos à Corregedoria da Polícia Civil para análise de possíveis irregularidades na investigação. Além disso, haverá uma apuração específica sobre a eventual monetização de conteúdos falsos relacionados ao episódio em ambientes digitais, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (CyberGaeco).
Relembre o caso
O cão comunitário Orelha morreu no início de janeiro de 2026. Uma investigação inicial sustentar que o animal havia sido submetido à eutanásia devido a agressões sofridas na região da cabeça, supostamente cometidas por um adolescente na Praia Brava, em Florianópolis.
A hipótese original, baseada em relatos de redes sociais e boatos, afirmava que o agressor e o animal permaneceram juntos na orla por cerca de 40 minutos.
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