Publicado 14/05/2026 15:36 | Atualizado 14/05/2026 15:36
A prefeitura de Paço do Lumiar, no Maranhão, rompeu o contrato de estágio entre unidades municipais de saúde e a Universidade Ceuma depois que um aluno de Medicina publicou um vídeo lamentando sujar o tênis importado no “c# do Maranhão”.
Na publicação, Ryan Xavier mostra a fachada da UBS Canaã e o calçado. De legenda, ele escreveu: “Meu tênis branquinho da ON vendo que não está em uma prateleira em Zurique [Suíça] e sim indo atender paciente no c# do Maranhão”. O áudio do meme “acaba pelo amor de Deus” também foi usado.
Nos comentários do post, que foi apagado pelo estudante, Ryan ainda deu uma resposta debochada sobre o dinheiro que ganharia. “Medicina por amor?”, perguntou um perfil. “Sim, o dinheiro que vem dela eu não preciso”, afirmou o aluno.
Após o vídeo viralizar, o prefeito de Paço do Lumiar, Fred Campos (PSB), foi às redes sociais, nesta terça-feira (12), para afirmar que estaria encerrando o convênio de estágio da prefeitura com a universidade. Segundo Fred, nenhum aluno da Ceuma poderá estagiar nas unidades de saúde do município.
PublicidadeNa publicação, Ryan Xavier mostra a fachada da UBS Canaã e o calçado. De legenda, ele escreveu: “Meu tênis branquinho da ON vendo que não está em uma prateleira em Zurique [Suíça] e sim indo atender paciente no c# do Maranhão”. O áudio do meme “acaba pelo amor de Deus” também foi usado.
Nos comentários do post, que foi apagado pelo estudante, Ryan ainda deu uma resposta debochada sobre o dinheiro que ganharia. “Medicina por amor?”, perguntou um perfil. “Sim, o dinheiro que vem dela eu não preciso”, afirmou o aluno.
Após o vídeo viralizar, o prefeito de Paço do Lumiar, Fred Campos (PSB), foi às redes sociais, nesta terça-feira (12), para afirmar que estaria encerrando o convênio de estágio da prefeitura com a universidade. Segundo Fred, nenhum aluno da Ceuma poderá estagiar nas unidades de saúde do município.
Ver essa foto no Instagram
“Antes do Ceuma oferecer um curso de Medicina, ele tem que oferecer um curso social para a pessoa poder viver em urbanidade, viver em sociedade. Isso aqui demonstra claramente que ele não tem capacidade nenhuma de viver em sociedade. Por enquanto, o Ceuma está proibido de mandar estagiários para dentro do município de Paço, até que eles comprovem à cidade de Paço que os alunos têm urbanidade, que eles sabem viver em sociedade. Eles têm que qualificar os alunos deles para isso”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.
Além de romper o contrato de estágio, o prefeito ainda afirmou que encaminharia à Polícia Civil e ao Ministério Público do Maranhão (MPMA) uma representação criminal contra o estudante por injúria qualificada. Procurados pelo DIA, a polícia e o MPMA não responderam aos questionamentos da reportagem até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestações.
Defesa se manifesta
O advogado George Azevedo, que representa o estudante, também usou as redes sociais para se manifestar sobre o caso. Segundo a defesa, Ryan não falou mal da unidade de saúde ou teceu críticas ao município, mas sim citou a distância geográfica da unidade de saúde, fazendo uso de uma “gíria muito comum entre os jovens para se referir aos locais distantes”.
George ainda classificou como “temerário e juridicamente questionável” o comportamento do prefeito. Para a defesa, a fala de Ryan está baseada no artigo 5º da Constituição Federal, que garante a livre manifestação do pensamento.
“[O prefeito] usou suas redes sociais oficiais para expor o nome do estudante, afirmando categoricamente que ele teria cometido o crime de injúria qualificada. Ele, sim, pode estar incidindo sobre condutas ilícitas. Afirmar que alguém cometeu um crime sem que haja sentença ou uma investigação, sem passar pelo devido processo legal, e muito menos havendo o animus injuriandi, que a intenção de ofender, além de ser uma forma de coação e ameaça pública, pode sim configurar, por parte do gestor, um crime contra a honra, uma calúnia, uma difamação”, afirmou.
Pais falam sobre o caso
Depois que o caso viralizou, os pais do estudante também usaram as redes sociais para se manifestar. A mãe de Ryan, Paty Xavier, disse que a publicação não tinha a intenção de atacar a UBS, os profissionais de saúde ou os moradores de Paço do Lumiar.
Ela afirmou que o filho reconheceu o erro, está arrependido e entende a gravidade da situação, mas ressaltou que o comentário fazia menção às dificuldades de acesso até a unidade de saúde, por causa das condições da estrada que chega ao local.
“Foi uma fala impulsiva e impensada de um jovem, não um ataque deliberado contra a população ou os serviços públicos”, escreveu ela, que falou ainda sobre a publicação do prefeito do município.
“O que mais nos revolta é que, após a publicação feita pelo prefeito nas redes sociais, o caso tomou proporções gigantescas. A exposição pública gerou ataques, ameaças e hostilidade contra meu filho e toda nossa família, causando enorme sofrimento emocional”, disse.
“É extremamente grave ver o prefeito defender publicamente a instauração criminal contra um jovem estudante por uma fala isolada e já reconhecida como errada. Não estamos falando de um criminoso, mas de um estudante que escreveu uma enorme besteira em um momento isolado”, afirmou ela, que ainda solicitou a retirada do post do prefeito das redes sociais.
Em um vídeo, o pai de Ryan defendeu o filho. No post, ele afirmou que o estudante foi “completamente infeliz” ao publicar o comentário e disse que não houve intenção de ofender a população ou o sistema de saúde.
“Nós somos do Sul, mas escolhemos o Maranhão para viver desde 2016 e é aqui que pretendemos continuar. Como tem essas gírias regionais, a expressão usada lá, C do Maranhão foi usada de forma errada. Mas o que ele quer dizer? É um lugar longe demais. A questão do tênis branco e barro, é que falta sim asfaltar a entrada da UBS, melhorar a condição do acesso de um paciente enfermo”, disse.
Ele voltou a pedir desculpas e disse que, desde que a publicação viralizou, a família tem recebido ataques. “A gente pede desculpas para o pessoal da região que acham que foram atingidos, para o pessoal da instituição, para os alunos, os grupos de estudo, para todo mundo que se sentiu ofendido, inclusive a população maranhense. Minha família, desde ontem, vem sofrendo ameaças de pessoas que interpretam as coisas do jeito que querem”, contou.
Universidade pede desculpas
Em comunicado divulgado, a Universidade Ceuma reafirmou seu compromisso com a formação ética, técnica e humana de seus estudantes, bem como com o respeito às instituições públicas, aos profissionais da saúde e à população atendida nos campos de estágio.
Sem citar o nome de Ryan ou mencionar o vídeo, a instituição disse que não compactua “com comportamentos incompatíveis com os princípios de respeito, responsabilidade e postura profissional exigidos de seus acadêmicos. A conduta relatada será apurada individualmente, com adoção das medidas cabíveis previstas no Regimento Institucional e no convênio de estágio firmado com o Município”.
Na nota, a universidade ainda pediu desculpas “à população de Paço do Lumiar por qualquer desconforto causado pelo episódio e reafirma seu respeito pela comunidade, pelos usuários do sistema público de saúde e pelos profissionais que atuam diariamente no atendimento à população”.
Por fim, a instituição lamentou a decisão do prefeito e “qualquer medida que resulte em prejuízo coletivo a estudantes sem relação com o ocorrido, especialmente diante da contribuição social desenvolvida pelos acadêmicos nos serviços de saúde”.
Além de romper o contrato de estágio, o prefeito ainda afirmou que encaminharia à Polícia Civil e ao Ministério Público do Maranhão (MPMA) uma representação criminal contra o estudante por injúria qualificada. Procurados pelo DIA, a polícia e o MPMA não responderam aos questionamentos da reportagem até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestações.
Defesa se manifesta
O advogado George Azevedo, que representa o estudante, também usou as redes sociais para se manifestar sobre o caso. Segundo a defesa, Ryan não falou mal da unidade de saúde ou teceu críticas ao município, mas sim citou a distância geográfica da unidade de saúde, fazendo uso de uma “gíria muito comum entre os jovens para se referir aos locais distantes”.
George ainda classificou como “temerário e juridicamente questionável” o comportamento do prefeito. Para a defesa, a fala de Ryan está baseada no artigo 5º da Constituição Federal, que garante a livre manifestação do pensamento.
“[O prefeito] usou suas redes sociais oficiais para expor o nome do estudante, afirmando categoricamente que ele teria cometido o crime de injúria qualificada. Ele, sim, pode estar incidindo sobre condutas ilícitas. Afirmar que alguém cometeu um crime sem que haja sentença ou uma investigação, sem passar pelo devido processo legal, e muito menos havendo o animus injuriandi, que a intenção de ofender, além de ser uma forma de coação e ameaça pública, pode sim configurar, por parte do gestor, um crime contra a honra, uma calúnia, uma difamação”, afirmou.
Pais falam sobre o caso
Depois que o caso viralizou, os pais do estudante também usaram as redes sociais para se manifestar. A mãe de Ryan, Paty Xavier, disse que a publicação não tinha a intenção de atacar a UBS, os profissionais de saúde ou os moradores de Paço do Lumiar.
Ela afirmou que o filho reconheceu o erro, está arrependido e entende a gravidade da situação, mas ressaltou que o comentário fazia menção às dificuldades de acesso até a unidade de saúde, por causa das condições da estrada que chega ao local.
“Foi uma fala impulsiva e impensada de um jovem, não um ataque deliberado contra a população ou os serviços públicos”, escreveu ela, que falou ainda sobre a publicação do prefeito do município.
“O que mais nos revolta é que, após a publicação feita pelo prefeito nas redes sociais, o caso tomou proporções gigantescas. A exposição pública gerou ataques, ameaças e hostilidade contra meu filho e toda nossa família, causando enorme sofrimento emocional”, disse.
“É extremamente grave ver o prefeito defender publicamente a instauração criminal contra um jovem estudante por uma fala isolada e já reconhecida como errada. Não estamos falando de um criminoso, mas de um estudante que escreveu uma enorme besteira em um momento isolado”, afirmou ela, que ainda solicitou a retirada do post do prefeito das redes sociais.
Em um vídeo, o pai de Ryan defendeu o filho. No post, ele afirmou que o estudante foi “completamente infeliz” ao publicar o comentário e disse que não houve intenção de ofender a população ou o sistema de saúde.
“Nós somos do Sul, mas escolhemos o Maranhão para viver desde 2016 e é aqui que pretendemos continuar. Como tem essas gírias regionais, a expressão usada lá, C do Maranhão foi usada de forma errada. Mas o que ele quer dizer? É um lugar longe demais. A questão do tênis branco e barro, é que falta sim asfaltar a entrada da UBS, melhorar a condição do acesso de um paciente enfermo”, disse.
Ele voltou a pedir desculpas e disse que, desde que a publicação viralizou, a família tem recebido ataques. “A gente pede desculpas para o pessoal da região que acham que foram atingidos, para o pessoal da instituição, para os alunos, os grupos de estudo, para todo mundo que se sentiu ofendido, inclusive a população maranhense. Minha família, desde ontem, vem sofrendo ameaças de pessoas que interpretam as coisas do jeito que querem”, contou.
Universidade pede desculpas
Em comunicado divulgado, a Universidade Ceuma reafirmou seu compromisso com a formação ética, técnica e humana de seus estudantes, bem como com o respeito às instituições públicas, aos profissionais da saúde e à população atendida nos campos de estágio.
Sem citar o nome de Ryan ou mencionar o vídeo, a instituição disse que não compactua “com comportamentos incompatíveis com os princípios de respeito, responsabilidade e postura profissional exigidos de seus acadêmicos. A conduta relatada será apurada individualmente, com adoção das medidas cabíveis previstas no Regimento Institucional e no convênio de estágio firmado com o Município”.
Na nota, a universidade ainda pediu desculpas “à população de Paço do Lumiar por qualquer desconforto causado pelo episódio e reafirma seu respeito pela comunidade, pelos usuários do sistema público de saúde e pelos profissionais que atuam diariamente no atendimento à população”.
Por fim, a instituição lamentou a decisão do prefeito e “qualquer medida que resulte em prejuízo coletivo a estudantes sem relação com o ocorrido, especialmente diante da contribuição social desenvolvida pelos acadêmicos nos serviços de saúde”.
Leia mais
Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.