Publicado 21/05/2026 18:25 | Atualizado 21/05/2026 18:55
Em agosto de 2025, Vorcaro reclamou com o empresário Thiago Miranda, sócio do Portal Leo Dias, sobre a publicação de uma reportagem sobre a produção, e o texto acabou deletado. O veículo só voltou a tratar da obra em dezembro daquele ano. As informações são do site Intercept Brasil.
PublicidadeO longa-metragem sobre o ex-mandatário teve mais de 90% do orçamento bancado com dinheiro de Vorcaro, preso e investigado por fraudes financeiras. O montante partiu de um pedido do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Karina Ferreira da Gama, dona da produtora GoUp, responsável pela produção, diz que o orçamento executado está em cerca de 13 milhões de dólares (o equivalente a 65,7 milhões de reais). O parlamentar Flávio Bolsonaro admitiu que recebeu do banqueiro mais de 12 milhões de dólares (cerca de 60,6 milhões de reais) para patrocinar o projeto.
Procurados, Vorcaro e Miranda não se manifestaram. Já o Portal Leo Dias afirmou, em nota ao Intercept, que voltou a abordar a produção meses depois porque as informações foram consideradas mais consistentes pela equipe do site.
De acordo com o Intercept Brasil, em 1 de agosto de 2025, o dono do Master enviou uma mensagem a Miranda: "Opa tudo bem? Achei que divulgar que tá fazendo o filme muito ruim, não acha?", escreveu. A promoção de "Dark Horse" ainda não havia começado — o teaser da obra se tornou público pela primeira vez no início de dezembro daquele ano.
O empresário concordou e disse que tentaria descobrir o motivo da publicação do texto. "Acho muito!! Tínhamos combinado de não divulgar nada. Vou entender agora com o Mário", respondeu. A reportagem cita que a referência pode ser ao deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo do longa.
Em resposta, Vorcaro insistiu: "Mas soltou no Leo. Mto ruim". Miranda, então, prometeu a remoção. "Acabei de ver. Vou pedir pra apagar", falou.
Na sequência, o sócio do portal justificou que conversou com Mário e Flávio. Ele explicou que a notícia havia sido publicada pelo início das gravações e dos testes. "Acaba vazando. Mas não vai aparecer nome de ninguém. Eles me garantiram isso. Já mandei deletar", disse Miranda. A reportagem intitulada "História de Bolsonaro vira filme nos EUA; ex-presidente será retratado como herói" foi retirada do ar.
Como revelou o Estadão, uma empresa do jornalista Leo Dias recebeu ao menos 9,9 milhões de reais diretamente do Banco Master. A informação consta em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O documento aponta que a instituição financeira fez seis pagamentos para a Leo Dias Comunicação e Jornalismo entre fevereiro de 2024 e maio de 2025. O colunista recebeu outros 2 milhões de reais de uma firma que teve aportes do Master como principal fonte de receita, segundo outro informe do órgão fiscalizador.
Em abril, quando o caso veio à tona, Leo Dias esclareceu por meio de nota que os repasses são relativos a um contrato de publicidade firmado com o Will Bank, que fazia parte do conglomerado do Master e também acabou liquidado pelo Banco Central.
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