Publicado 27/05/2026 14:43
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) classificou como justas as reivindicações dos estudantes em greve na Universidade de São Paulo. A paralisação por melhorias no programa de permanência e alimentação já dura mais de um mês e nos últimos dias, contou com a adesão dos professores.
Publicidade"É justo melhoria no Crusp? Claro que é justo. É justo melhoria no bandejão? Claro que é justo. A quem cabe isso? À reitoria. A reitoria que faz a gestão de recurso. A gente repassa e a reitoria tem absoluta liberdade para fazer distribuição do seu orçamento, para planejar custeio, investimento. E essa é a beleza da coisa", defendeu Tarcísio.
Em coletiva de imprensa durante uma agenda na zona leste na terça-feira, 26, ele afirmou que as universidades paulistas têm dinheiro em caixa e previsibilidade para gerenciar os recursos da melhor forma. De acordo com o governador, o orçamento deste ano da USP é de R$ 9,4 bilhões.
"As universidades hoje têm dinheiro em caixa? Tem dinheiro em caixa. Isso é importante do ponto de vista da previsibilidade? É importante. É justo que os alunos briguem por melhoria no programa de permanência? É justo, claro. Agora vamos lembrar: as universidades paulistas têm os maiores programa de permanência do Brasil. Isso pode ser melhorado? Sem dúvida pode. A reitoria fez uma proposta."
As declarações representam uma guinada no tom do governador. No mês passado, ao ser questionado sobre o assunto, Tarcísio demonstrou não compreender a mobilização. "Não entra na cabeça a greve dos estudantes", afirmou. Na ocasião, ele ainda disse que se fosse estudante, "estaria estudando o máximo que pudesse" para aprender.
Na segunda-feira, os professores da Universidade de São Paulo (USP) decidiram cruzar os braços em apoio aos estudantes e também por melhorias salariais. A decisão da categoria de paralisar as atividades foi realizada durante uma Assembleia Geral convocada pela Adusp, a Associação de Docentes da Universidade de São Paulo.
Os docentes estão em campanha salarial e pedem reajuste nos vencimentos. Contudo, entre as pautas, está também a retomada das negociações da reitoria com os alunos, incluindo um avanço na proposta de valorização do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Papfe), além da não criminalização do movimento estudantil.
Procurada, a USP ainda não se manifestou sobre a decisão. O espaço segue aberto e será atualizado em caso de posicionamento da universidade.
O que pedem os professores
Com relação às melhorias salariais, os professores contestam o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), que chegou a determinar um reajuste salarial de 2% inicialmente e depois aumentou para 3,47%, que corresponde à inflação dos últimos doze meses medida pelo IPC-Fipe.
As alternativas não foram aceitas pela Adusp, que apresentou uma contraproposta: aumento de 7,3%, que inclui reajuste pelo IPCA, medido pelo IBGE, que atingiu 4,39% nos últimos doze meses, mais 3%. A categoria justifica o pedido como forma de recuperar as perdas salariais, tendo como referência o poder de compra de maio de 2012.
Uma nova assembleia entre os docentes está prevista para a próxima segunda-feira, 1° de junho.
Negociações com os estudantes
A paralisação dos professores acontece em um momento de estagnação nas negociações entre reitoria e estudantes, que estão em greve há mais de um mês, mas também de aumento de pressão por parte de algumas entidades sobre os alunos.
Na última sexta, 22, diretoria do Instituto de Física da da universidade (IFUSP) publicou um comunicado convocando os estudantes a retornarem às aulas nesta segunda, 25, e que, em caso de descumprimento, haveria o risco de perda do semestre letivo e até cancelamento de matrícula no caso dos calouros.
"Com a continuidade da paralisação das aulas de graduação e a falta de perspectiva ou sinalização de mudança do calendário escolar, haverá a perda do semestre letivo e com isto os calouros terão suas matrículas canceladas, perdendo o vínculo com a USP", disse a entidade em seu canal oficial na rede social
O Centro Acadêmico do Instituto de Física da USP (Cefisma) respondeu por meio de nota alegando que o tom da mensagem da diretoria é "alarmista" e que há uma negociação com o Conselho de Graduação em andamento.
Greve estudantil
Em greve há mais de um mês, os estudantes aprovaram a paralisação em 14 de abril. Liderado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), o movimento acompanhou a mobilização de servidores, que também cruzaram os braços no mês passado em protesto contra uma gratificação anunciada pela universidade exclusivamente para professores.
Após pressão e mobilização, os servidores conseguiram avanços salariais e encerraram a paralisação. Os estudantes, porém, decidiram manter a greve e passaram a concentrar esforços em suas próprias reivindicações.
A principal demanda é o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Papfe), que atualmente oferece benefícios que vão de R$ 335 para estudantes residentes em moradia estudantil a R$ 885 para auxílio integral.
A USP propôs um reajuste baseado no índice IPC-FIPE. Dessa forma, o auxílio integral passaria para R$ 912 mensais, enquanto o auxílio parcial para estudantes com moradia subiria para R$ 340. A proposta, no entanto, é considerada insuficiente pelos estudantes, que defendem um reajuste para R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista.
Além disso, os estudantes criticam questões estruturais da universidade, como a gestão do restaurante universitário, conhecido como "Bandejão", a moradia estudantil e a situação do Hospital Universitário (HU), que, segundo manifestantes, perdeu cerca de 30% de seu quadro de funcionários na última década.
A proposta da reitoria e o impasse
A reitoria abriu três rodadas de negociação com os estudantes, mas, diante da rejeição da proposta apresentada, decidiu encerrar unilateralmente as conversas, gerando insatisfação entre os grevistas, que chegaram a invadir e ocupar um prédio da reitoria no início do mês.
O reitor da USP, Aluísio Segurado, chegou a dizer que os valores apresentados eram a última proposta que a reitoria poderia oferecer. Como efeito do impasse, outras universidades estaduais, como a Unesp e a Unicamp, também aderiram à greve.
"A reitoria não tem apresentado propostas reais aos estudantes, mantendo uma postura intransigente nas mesas de negociação e em sua atuação perante os estudantes", afirmam os alunos, via nota do DCE.
"Se na mesa de negociação não existe diálogo, então vamos pautar as nossas necessidades no Conselho Universitário. Instância que precisa urgentemente acatar a pauta dos estudantes", acrescentou
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