Presidente fez declaração durante evento em SergipeReprodução / Canal Gov
Publicado 29/05/2026 13:41 | Atualizado 29/05/2026 13:55
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deu a primeira declaração pública após os Estados Unidos anunciarem a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em discurso durante evento em Sergipe, o petista disse que recebeu a notícia com tristeza e que os EUA não podem tratar o Brasil como "meleques" e uma "republiqueta".

"Quer combater o crime organizado? Entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos. Nós não aceitamos ser tratados como moleques, como se fosse uma republiqueta", disse Lula, em uma cerimônia de investimentos da Petrobras em Laranjeiras (SE).

De acordo com Lula, o PCC e o CV praticam o terror nas comunidades onde operam e na sociedade brasileira e serão combatidos pelo governo federal sem interferência externa. Para isso, ele exaltou a aprovação da Lei Antifacção e exortou o Senado a aprovar a PEC da Segurança Pública.

Em recado a Trump, Lula disse também que o presidente norte-americano não pode brincar com a "soberania e a democracia brasileira".

'Traidor da Pátria'

Lula também atacou o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), dizendo que ele não sente vergonha em ser um "traidor da Pátria" e pedir uma intervenção dos Estados Unidos ao Brasil ao ter ido a Washington D.C, na última terça-feira, 26, defender a medida aplicada pelo Departamento de Estado dos EUA.

O presidente chegou a dizer que Joaquim Silvério dos Reis, personagem conhecido na historiografia brasileira por ser o traidor da Inconfidência Mineira (1788-1789), estaria envergonhado de Flávio Bolsonaro.

"Não tem vergonha na cara de trair a nossa Pátria e ir aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil. Joaquim Silvério dos Reis ficaria envergonhado se soubesse que tem um candidato à Presidência que vai nos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil", afirmou o presidente.

Ainda disparando ataques à família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula declarou que se eles tivessem pedido uma intervenção dos Estados Unidos para prender milicianos, os integrantes do clã seriam presos no território norte-americano.

O presidente também afirmou que a movimentação bolsonarista se dá pelo fato de ele ser eleito presidente da República pela quarta vez em outubro: "Estão incomodados porque eles sabem que vou vencer a eleição outra vez".

Cooperação com os EUA na segurança

Como em outras declarações sobre a reunião que teve com Trump no último dia 7, Lula disse que, em uma eventual cooperação com os EUA na segurança pública, exige que a Casa Branca desmobilize o esquema de lavagem de dinheiro em Delaware e extradite Ricardo Magro, dono da Refit.

Mas, dessa vez, Lula citou também o ex-deputado-federal Alexandre Ramagem (PL), que vive nos Estados Unidos após ser condenado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

A decisão dos EUA

Na quinta-feira, 28, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, informou que o país está designando o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A decisão vai passar a valer a partir do dia 5 de junho.

"O Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Sua influência se estende por toda a nossa região e chega ao nosso país", escreveu Rubio no X.
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Governo afirma que medida coloca 'em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime'
Na tarde desta sexta-feira (29), o governo Lula, por meio da Secretaria de Comunicação Social (Secom), divulgou uma nota na qual afirmava que "medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime".
"Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros. Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao País", disse a nota.
O governo afirmou que tem "travado combate permanente contra o PCC, o Comando Vermelho e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias" e que "enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro"

O principal argumento por parte do governo brasileiro, respaldado por especialistas em segurança pública, é de que as facções criminosas, ao contrário de organizações terroristas, como o Estado Islâmico ou a Al Qaeda, não têm motivos ideológicos, políticos ou religiosos, mas sim a busca pelo lucro.

"O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional", afirmou o governo.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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