Thaís InfanteDivulgação/ PH Lopes
Publicado 09/06/2026 07:00
 
Publicidade
O DIA - Dra. Thais Infante, a senhora construiu sua trajetória profissional na advocacia trabalhista, defendendo trabalhadores e pessoas em situação de vulnerabilidade. O que a motivou a ingressar na vida pública?

THAIS INFANTE - Minha história não começou nos corredores do poder. Começou onde a vida real acontece. Conheço as dificuldades enfrentadas por quem depende do próprio trabalho para sustentar a família. Vivi de perto os desafios da ascensão social e aprendi que o esforço individual precisa encontrar um Estado eficiente, uma educação de qualidade e oportunidades reais. A política, para mim, não é um projeto pessoal. É uma ferramenta de transformação coletiva.

O Brasil parece cada vez mais dividido entre esquerda e direita. Existe um caminho alternativo?

Acredito que sim. O Brasil precisa reencontrar sua própria identidade. Durante décadas importamos modelos ideológicos que muitas vezes não dialogam com nossa realidade. Defendo um nacionalismo brasileiro moderno, fundamentado em nossas raízes afro-indígenas e enriquecido pela contribuição dos imigrantes que ajudaram a construir esta nação. Somos resultado da miscigenação, da diversidade e da convivência de diferentes culturas. Nossa identidade nacional não deve ser subordinada a disputas ideológicas importadas.

A educação continua sendo um dos maiores desafios nacionais. O que precisa mudar?

Precisamos de uma verdadeira refundação do sistema educacional. A escola deve formar cidadãos preparados para o século XXI. Menos disputas partidárias e mais conhecimento. Precisamos fortalecer o ensino de português, matemática, ciências, tecnologia, inteligência artificial, programação, educação financeira e empreendedorismo. A educação deve ser uma política de Estado, não uma ferramenta de disputa política.

A senhora ficou conhecida por defender trabalhadores. Como vê o futuro das relações de trabalho?

O Brasil ainda opera com uma legislação concebida para uma realidade econômica que já não existe. Precisamos proteger o trabalhador sem sufocar a geração de empregos. A CLT foi importante em seu tempo, mas o mundo mudou. Hoje convivemos com trabalho remoto, plataformas digitais, inteligência artificial e novas formas de prestação de serviços. Defendo uma ampla modernização das relações trabalhistas, garantindo direitos fundamentais, segurança jurídica e liberdade para a negociação responsável entre trabalhadores e empregadores.

O agronegócio costuma ser alvo de debates intensos. Qual sua posição?

O agronegócio é um dos pilares da economia brasileira. Mas o futuro do setor passa pela tecnologia. Precisamos investir em agricultura de precisão, inteligência artificial, biotecnologia, irrigação inteligente e monitoramento ambiental avançado. O Brasil pode ser simultaneamente uma potência agrícola, tecnológica e ambiental. Não existe contradição entre produzir mais e preservar melhor.
Qual o papel da inteligência artificial no setor público?

A inteligência artificial pode representar uma revolução positiva para o cidadão. Imagine licenças, certidões, processos administrativos e serviços públicos resolvidos em minutos, e não em meses. Defendo a utilização da tecnologia para reduzir burocracias, eliminar desperdícios, aumentar a transparência e combater a corrupção. O Estado deve ser parceiro do cidadão, não um obstáculo.

A senhora também fala em mudanças institucionais. O que isso significa?

 As instituições precisam funcionar em harmonia e dentro de limites claramente definidos. O Brasil necessita aperfeiçoar os mecanismos de relacionamento entre os Poderes, fortalecendo a segurança jurídica e a previsibilidade institucional. O equilíbrio entre Executivo, Legislativo e Judiciário é fundamental para a estabilidade democrática. O cidadão precisa saber exatamente quem decide, quem executa e quem fiscaliza.

Qual seria sua principal bandeira no Senado?

Minha principal bandeira será a valorização do trabalho como instrumento de emancipação humana. Não existe política social mais poderosa do que a geração de oportunidades. Quero um Brasil que premie o mérito sem abandonar a solidariedade, que valorize sua identidade nacional sem cair em radicalismos e que olhe para o futuro com confiança.

A recente Marcha para Jesus reuniu milhões de pessoas que carregavam bandeiras do Brasil e de Israel. A senhora acredita que a política externa brasileira deveria levar em consideração esse sentimento manifestado por parte significativa da população?

A política externa brasileira não pode ser construída apenas nos gabinetes de Brasília. Ela deve também ouvir o clamor das ruas. Na recente Marcha para Jesus, milhões de brasileiros ergueram lado a lado as bandeiras do Brasil e de Israel, demonstrando uma afinidade espiritual, histórica e até afetiva entre nossos povos.

Essa manifestação revelou valores compartilhados por uma parcela expressiva da sociedade brasileira e não pode ser simplesmente ignorada. O Brasil deve preservar sua tradição diplomática de diálogo e respeito entre as nações, mas sem se afastar dos sentimentos legítimos de seu próprio povo.

Quando milhões de cidadãos manifestam solidariedade a uma nação que identificam como parceira na defesa da liberdade, da democracia e da civilização diante do extremismo e da barbárie, esse sentimento merece ser ouvido e respeitado. Uma política externa verdadeiramente democrática deve estar conectada não apenas aos interesses estratégicos do Estado, mas também aos valores da sociedade que representa.

Dra. Thais, seu nome tem sido mencionado por apoiadores e movimentos cívicos de diferentes regiões do país como uma possível alternativa para uma futura disputa presidencial. Como a senhora recebe essas manifestações?

Recebo essas manifestações com profunda gratidão e, acima de tudo, com humildade. Tenho recebido incentivos e demonstrações de apoio vindos de diversas regiões do país, muitos deles de cidadãos sem qualquer vinculação partidária, mas que acreditam na necessidade de renovação da política brasileira e de uma agenda voltada ao fortalecimento da educação, da produção nacional, da justiça social e da valorização do trabalho.

Contudo, faço questão de reiterar que, neste momento, sou pré-candidata ao Senado por São Paulo e é nessa missão que estão concentrados todos os meus esforços. A política exige responsabilidade, planejamento e respeito aos compromissos assumidos com a população.

Evidentemente, ninguém constrói uma trajetória pública sozinho. Se, no futuro, houver uma convocação legítima do partido, de aliados e da própria sociedade para um desafio maior, não fugirei à responsabilidade. Sempre estarei disposta a servir ao Brasil onde entenderem que posso ser mais útil. Mas hoje meu foco é o Senado Federal, representando São Paulo e ajudando a construir um novo projeto nacional para o país.

Como gostaria de ser lembrada pelos eleitores?

 Como alguém que jamais esqueceu suas origens. Vim de baixo, enfrentei dificuldades e sei que milhões de brasileiros travam batalhas silenciosas todos os dias. Se eu puder contribuir para construir um país mais justo, mais eficiente e mais humano, terei cumprido minha missão.
Reportagem de PH Lopes, Portal IG
Leia mais