Publicado 18/06/2026 13:18 | Atualizado 18/06/2026 15:15
Diálogos extraídos no celular do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, indicam que ele emprestou por diversas vezes seu avião particular para o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e também bancou ingressos para o camarote de um show em Los Angeles, nos Estados Unidos. A defesa do senador ainda não se manifestou sobre a operação. A defesa de Augusto Lima nega irregularidades (leia ao final).
A Polícia Federal afirma que essas vantagens se somam a outros pagamentos de propina feitos ao senador, como a compra de um apartamento de luxo de R$ 2,5 milhões e repasses de R$ 3,5 milhões para a empresa de sua nora.
A PF cita, por exemplo, que Augusto Lima combina um encontro com Wagner em uma ilha de sua propriedade, em Salvador, e cede sua aeronave para o deslocamento, em outubro de 2023. "Na ocasião, AUGUSTO LIMA coloca aeronave particular à disposição de JAQUES WAGNER e de pessoas de sua família para realização do deslocamento entre Salvador e a ilha indicada. Nesse sentido, AUGUSTO encaminha o prefixo de aeronave e o horário do deslocamento ao Senador por mensagem", diz a investigação.
Em abril de 2024, Wagner pediu a Augusto Lima o contato de seu piloto para realizar um voo ao Rio de Janeiro.
As conversas também citam um pedido de Wagner para que Augusto Lima comprasse ingressos do show de uma cantora internacional, que ocorreria nos Estados Unidos. A compra, segundo a PF, foi realizada pela empresa Reag, de João Carlos Mansur, que é suspeito de auxiliar Daniel Vorcaro e o Banco Master em crimes financeiros.
"Com o mesmo objetivo, a representação também descreve vantagens relativas a ingressos para shows de cantora internacional, realizado na cidade de Los Angeles (Califórnia/EUA). Em junho de 2023, AUGUSTO teria orientado sua secretária a adquirir ingressos em favor de familiares de JAQUES WAGNER. A aquisição dos bilhetes, que também foi objeto de diálogo envolvendo JOÃO CARLOS MANSUR, teria sido realizada pela empresa REAG Investimentos S.A, pelo valor total de R$ 63.339,00. Em 23/11/2023, JAQUES questionou AUGUSTO sobre os ‘ingressos de sábado’ (no caso, dia 25/11/2023), tendo recebido os arquivos de ingressos para camarote. Posteriormente, solicitou ampliação do número de entradas para cinco pessoas, ao que AUGUSTO respondeu: 'Pronto amigo. Seguem os outros dois. Abs.'", aponta a investigação.
A defesa de Augusto Lima informou que "as diligências realizadas pela Polícia Federal eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração."
"Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública", informou a defesa de Lima, conduzida pelos advogados Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebástian Mello.
PublicidadeA Polícia Federal afirma que essas vantagens se somam a outros pagamentos de propina feitos ao senador, como a compra de um apartamento de luxo de R$ 2,5 milhões e repasses de R$ 3,5 milhões para a empresa de sua nora.
A PF cita, por exemplo, que Augusto Lima combina um encontro com Wagner em uma ilha de sua propriedade, em Salvador, e cede sua aeronave para o deslocamento, em outubro de 2023. "Na ocasião, AUGUSTO LIMA coloca aeronave particular à disposição de JAQUES WAGNER e de pessoas de sua família para realização do deslocamento entre Salvador e a ilha indicada. Nesse sentido, AUGUSTO encaminha o prefixo de aeronave e o horário do deslocamento ao Senador por mensagem", diz a investigação.
Em abril de 2024, Wagner pediu a Augusto Lima o contato de seu piloto para realizar um voo ao Rio de Janeiro.
As conversas também citam um pedido de Wagner para que Augusto Lima comprasse ingressos do show de uma cantora internacional, que ocorreria nos Estados Unidos. A compra, segundo a PF, foi realizada pela empresa Reag, de João Carlos Mansur, que é suspeito de auxiliar Daniel Vorcaro e o Banco Master em crimes financeiros.
"Com o mesmo objetivo, a representação também descreve vantagens relativas a ingressos para shows de cantora internacional, realizado na cidade de Los Angeles (Califórnia/EUA). Em junho de 2023, AUGUSTO teria orientado sua secretária a adquirir ingressos em favor de familiares de JAQUES WAGNER. A aquisição dos bilhetes, que também foi objeto de diálogo envolvendo JOÃO CARLOS MANSUR, teria sido realizada pela empresa REAG Investimentos S.A, pelo valor total de R$ 63.339,00. Em 23/11/2023, JAQUES questionou AUGUSTO sobre os ‘ingressos de sábado’ (no caso, dia 25/11/2023), tendo recebido os arquivos de ingressos para camarote. Posteriormente, solicitou ampliação do número de entradas para cinco pessoas, ao que AUGUSTO respondeu: 'Pronto amigo. Seguem os outros dois. Abs.'", aponta a investigação.
A defesa de Augusto Lima informou que "as diligências realizadas pela Polícia Federal eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração."
"Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública", informou a defesa de Lima, conduzida pelos advogados Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebástian Mello.
Jaques Wagner justificou venda da Ebal a Augusto Lima
Jaques Wagner defendeu, em sessão realizada em 13 de maio, a operação que privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e incluiu repasse, ao Banco Master, do cartão Credcesta pelo banqueiro Augusto Lima, ex-sócio da instituição de Daniel Vorcaro.
O Credcesta era uma espécie de cartão de crédito com desconto direto no salário de funcionários públicos e aposentados. O produto foi criado por Augusto Lima nessa operação de compra da Ebal e posteriormente levado ao Banco Master, onde constituía o principal ativo.
As falas de Jaques Wagner, durante sessão deliberativa, fazem parte de um discurso no qual o senador buscava associar o escândalo do Master a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pré-candidato nas eleições presidenciais de outubro.
As declarações foram dadas no mesmo dia em que o site Intercept Brasil publicou uma reportagem sobre a troca de mensagens entre Flávio e Vorcaro envolvendo o repasse de recursos para financiar a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.
Wagner usou o discurso para rebater vídeo em que Flávio buscava associar a gênese do escândalo à Bahia e no qual citava, além do líder do governo, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa - os dois petistas são candidatos ao Senado no Estado.
"Nós tínhamos na Bahia uma excrescência, uma rede de supermercado estatal", indicou o senador no discurso. "A moda sempre foi que o Estado tem que ficar com aquilo que é fundamental, com a questão estratégica. Pois, na Bahia - do PFL à época, depois do DEM -, nós tínhamos uma rede de supermercado estatal, com 250 lojas e três pontos de distribuição de alimentos, que virou, desculpe o termo, uma bagunça, com um prejuízo que era da ordem de R$ 80 milhões por ano. Então, nós resolvemos privatizar e privatizamos."
"Imagine, eu que sou de esquerda recebo do pessoal de direita liberal uma rede de supermercado com prejuízo de R$ 80 milhões por ano", continuou. "Então, nós fizemos o que os liberais pregam e privatizamos. Quando nós privatizamos, o cartão Cesta, que era parte dessa rede de supermercado, foi junto com isso. Aí se encerra a participação minha ou do ex-governador nesse episódio."
O líder do governo, no discurso, também citou uma linha do tempo para argumentar que a gênese do escândalo ocorreu no governo Bolsonaro.
Ele citou tentativas de Vorcaro de comprar o Master em 2017 e 2019 e diz que isso só se concretizou durante a Presidência de Roberto Campos Neto no Banco Central.
"Entre 2021 e 2024, e eu insisto, sob a Presidência - do Banco Central - de Roberto Campos Neto, indicado pelo dr. Jair Messias Bolsonaro, o Banco Central manda 25 ofícios ao Banco Master, pedindo essa ou aquela medida corretiva ou saneadora, que não foram feitas; mas também o Banco Central, à época, não pediu, como foi feito agora, a liquidação do banco", continuou o senador.
Wagner também afirmou que, até o final de 2024, o Master aumentou suas captações seguradas pelo Fundo Garantidor de Créditos de R$ 30 bilhões para R$ 60 bilhões. "O trambique foi feito aqui, aos olhos do Banco Central, sob a Presidência do sr. Campos Neto, indicado pelo então presidente Jair Messias Bolsonaro."
O líder do governo mencionou ainda uma medida provisória votada em 2022 e que autorizava o cartão a entrar no mercado dos aposentados do INSS.
"Vale a pena o senador Flávio Bolsonaro, em vez de tentar empurrar para outros a responsabilidade que é dele... E aí, o senhor vê que Deus é generoso comigo: no dia em que eu decido fazer essa fala, sai esta reportagem do Intercept, de um diálogo profícuo entre o senador Flávio Bolsonaro e o sr. Daniel Vorcaro", afirmou.
"Eu estou querendo concluir só para dizer, presidente, que eu não sou mais honesto que ninguém. Eu tenho o meu código de ética, eu tenho o meu código de funcionamento, eu não tenho sequer CNPJ", indicou.
"Mas eu não tenho, Rui Costa também não tem e Jerônimo Rodrigues, o atual governador da Bahia, também não tem CNPJ. São todas pessoas que têm um nível de vida bastante razoável - como eu tenho, nada a reclamar -, mas que não multiplicam o seu patrimônio porque estão sentados na cadeira de senador", concluiu.
O Credcesta era uma espécie de cartão de crédito com desconto direto no salário de funcionários públicos e aposentados. O produto foi criado por Augusto Lima nessa operação de compra da Ebal e posteriormente levado ao Banco Master, onde constituía o principal ativo.
As falas de Jaques Wagner, durante sessão deliberativa, fazem parte de um discurso no qual o senador buscava associar o escândalo do Master a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pré-candidato nas eleições presidenciais de outubro.
As declarações foram dadas no mesmo dia em que o site Intercept Brasil publicou uma reportagem sobre a troca de mensagens entre Flávio e Vorcaro envolvendo o repasse de recursos para financiar a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.
Wagner usou o discurso para rebater vídeo em que Flávio buscava associar a gênese do escândalo à Bahia e no qual citava, além do líder do governo, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa - os dois petistas são candidatos ao Senado no Estado.
"Nós tínhamos na Bahia uma excrescência, uma rede de supermercado estatal", indicou o senador no discurso. "A moda sempre foi que o Estado tem que ficar com aquilo que é fundamental, com a questão estratégica. Pois, na Bahia - do PFL à época, depois do DEM -, nós tínhamos uma rede de supermercado estatal, com 250 lojas e três pontos de distribuição de alimentos, que virou, desculpe o termo, uma bagunça, com um prejuízo que era da ordem de R$ 80 milhões por ano. Então, nós resolvemos privatizar e privatizamos."
"Imagine, eu que sou de esquerda recebo do pessoal de direita liberal uma rede de supermercado com prejuízo de R$ 80 milhões por ano", continuou. "Então, nós fizemos o que os liberais pregam e privatizamos. Quando nós privatizamos, o cartão Cesta, que era parte dessa rede de supermercado, foi junto com isso. Aí se encerra a participação minha ou do ex-governador nesse episódio."
O líder do governo, no discurso, também citou uma linha do tempo para argumentar que a gênese do escândalo ocorreu no governo Bolsonaro.
Ele citou tentativas de Vorcaro de comprar o Master em 2017 e 2019 e diz que isso só se concretizou durante a Presidência de Roberto Campos Neto no Banco Central.
"Entre 2021 e 2024, e eu insisto, sob a Presidência - do Banco Central - de Roberto Campos Neto, indicado pelo dr. Jair Messias Bolsonaro, o Banco Central manda 25 ofícios ao Banco Master, pedindo essa ou aquela medida corretiva ou saneadora, que não foram feitas; mas também o Banco Central, à época, não pediu, como foi feito agora, a liquidação do banco", continuou o senador.
Wagner também afirmou que, até o final de 2024, o Master aumentou suas captações seguradas pelo Fundo Garantidor de Créditos de R$ 30 bilhões para R$ 60 bilhões. "O trambique foi feito aqui, aos olhos do Banco Central, sob a Presidência do sr. Campos Neto, indicado pelo então presidente Jair Messias Bolsonaro."
O líder do governo mencionou ainda uma medida provisória votada em 2022 e que autorizava o cartão a entrar no mercado dos aposentados do INSS.
"Vale a pena o senador Flávio Bolsonaro, em vez de tentar empurrar para outros a responsabilidade que é dele... E aí, o senhor vê que Deus é generoso comigo: no dia em que eu decido fazer essa fala, sai esta reportagem do Intercept, de um diálogo profícuo entre o senador Flávio Bolsonaro e o sr. Daniel Vorcaro", afirmou.
"Eu estou querendo concluir só para dizer, presidente, que eu não sou mais honesto que ninguém. Eu tenho o meu código de ética, eu tenho o meu código de funcionamento, eu não tenho sequer CNPJ", indicou.
"Mas eu não tenho, Rui Costa também não tem e Jerônimo Rodrigues, o atual governador da Bahia, também não tem CNPJ. São todas pessoas que têm um nível de vida bastante razoável - como eu tenho, nada a reclamar -, mas que não multiplicam o seu patrimônio porque estão sentados na cadeira de senador", concluiu.
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