Haddad anunciou França e as pré-candidaturas ao Senado nesta quinta-feiraRedes sociais / Reprodução
Publicado 25/06/2026 14:24
O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou nesta quinta-feira (25), o ex-ministro do Empreendedorismo Márcio França (PSB) como seu vice na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. A definição ocorre em meio à disputa por vagas ao Senado na aliança, após França, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) manifestarem interesse em concorrer pelo Estado.

Com o martelo batido, Marina e Tebet devem disputar as duas vagas na Casa Alta pela coligação alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Eles devem enfrentar, entre outros nomes, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que buscará a reeleição, o deputado federal e ex-secretário estadual de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP) e o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), na eleição deste ano.

"Ontem, nós tivemos uma reunião muito produtiva com o presidente Lula, com o vice-presidente Alckmin e alguns partidos aliados", disse Haddad. "Tive uma grata surpresa, que foi uma conversa de altíssimo nível com os três outros companheiros que compõem a chapa majoritária para o governo do Estado e Senado."

Os quatro se reuniram na tarde da última quarta-feira (24), com Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), em Brasília, para encerrar a disputa. Segundo Haddad, os três ex-ministros se colocaram à disposição para compor a chapa como vice ou disputar o Senado, deixando a definição a cargo do pré-candidato petista

Como mostrou o Estadão/Broadcast, o presidente Lula preferia França como vice de Haddad. O ex-ministro do Empreendedorismo, porém, resistia à ideia e defendia disputar o Senado. Na última semana, após o deputado federal Kim Kataguiri (Missão) e o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra (PSDB) desistirem da corrida ao governo paulista, França passou a articular, nos bastidores, uma eventual candidatura própria ao Palácio dos Bandeirantes.

A possibilidade de França disputar o governo paulista encontrou resistência imediata no PT. Para os petistas, sua candidatura teria mais potencial de dividir o eleitorado de Haddad do que de reduzir a vantagem de Tarcísio. A pré-candidatura do ex-ministro da Fazenda ao governo paulista foi anunciada em 19 de março.

A demora na definição da chapa provocou, nos últimos meses, insatisfação entre partidos aliados. O descontentamento foi expresso pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) em 22 de maio. Segundo a parlamentar, a indefinição prejudicava a pré-campanha, sobretudo porque o campo adversário já havia acertado sua composição. "É só se conversarem, ajeitar", afirmou

Tebet também marcou posição no debate. Em entrevista à Veja, em 29 de abril, afirmou não haver "nenhuma chance" de integrar a chapa como vice. Dois dias antes, a Federação PSOL-Rede reiterou a pré-candidatura de Marina Silva ao Senado, endossada pelo PDT. "Não há plano B" além da ex-ministra do Meio Ambiente, afirmou a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi.

Além disso, Haddad chegou a manifestar publicamente a sua preferência por uma mulher na vaga de vice. Também era preferível um nome que agregasse forças centristas. Nesse sentido, a ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Teresa Vendramini (PDT), foi convidada para ocupar o lugar, mas ela recusou o convite.

"A nossa chapa já é paritária e tem dois homens e duas mulheres", disse Haddad. "Nas minhas disputas majoritárias eu sempre, ou quase sempre, contei com uma mulher como vice."
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 ''Nunca critiquei Tarcísio por ser de fora de São Paulo''
"Eu não critiquei por ele (não ser de São Paulo). O que eu critiquei foi porque ele foi trazido para cá pela mão de uma terceira pessoa", disse Haddad. "Não veio de espontânea vontade para cá. Ele queria ser senador por Goiás. E aí ele resolve artificialmente vir para cá, sem nenhum conhecimento, nenhuma raiz aqui."

Ao longo da campanha de 2022, quando disputou o Palácio dos Bandeirantes contra Tarcísio pela primeira vez, Haddad explorou a falta de raízes locais do adversário, com críticas ao desconhecimento geográfico, político e prático que ele teria sobre o Estado. O petista argumentava que, por ter construído a carreira no Rio de Janeiro e em Brasília, Tarcísio "caía de paraquedas" na política paulista e não sabia sequer onde votava

Em 20 de março de 2026, durante o evento oficial em que anunciou sua pré-candidatura, Haddad chegou a dizer que Tarcísio "é mais forasteiro" que a ex-ministra do Planejamento e pré-candidata ao Senado pelo campo lulista, Simone Tebet (PSB).

Durante coletiva nesta quinta-feira para anunciar a definição da chapa alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo, Haddad negou haver incoerência no fato de Simone Tebet e da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede), ambas pré-candidatas ao Senado, não serem paulistas. Tebet é natural de Mato Grosso do Sul, e Marina, do Acre.

"Meu pai vem do Líbano. Como é que eu vou ter preconceito com quem não é de São Paulo? Meu pai nasceu no Líbano. Toda a minha família é imigrante", continuou o petista. "O problema é quando você é artificial. E eu sabia que isso ia acontecer, porque eu sempre dizia: o Tarcísio está com a cabeça fora de São Paulo", disse referindo-se ao período que Tarcísio era considerado pré-candidato à Presidência da República.
''Tarcísio é menor que cadeira do governo de SP''
Márcio França (PSB), criticou o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao longo do anúncio de sua candidatura em São Paulo: "Ele é uma pessoa menor do que a cadeira do governo de São Paulo."

"Tarcísio teve pelos três anos e meio a oportunidade de visitar as cidades de São Paulo e ele optou por não visitá-las. Tarcísio, acho que não esteve em 20% das cidades pessoalmente", disse França. "O Alckmin fazia todos os anos, ia a todas as cidades."

O ex-ministro do Empreendedorismo disse ainda - diante da possibilidade da eleição ser decidida em primeiro turno por ter apenas Tarcísio e Haddad pré-candidatos - que é preciso estar preparado para "surpresas". "Quando você arrisca o primeiro turno, ele sempre é apertado. Não existe um turno que seja um turno muito largo. Um turno só é sempre apertado, para lá ou para cá. Porque a gente espera que seja para cá", afirmou.
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