Publicado 25/06/2026 19:36
A Assimpi, associação que congrega os sindicatos da micro e pequenas indústrias, acaba de enviar um manifesto ao governo federal em apoio ao projeto que amplia os limites de enquadramento do Microempreendedor Individual (MEI) e do Simples Nacional, em tramitação na Câmara dos Deputados. O projeto será votado na Casa na primeira semana de julho.
PublicidadeO documento foi enviado ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao ministro da Fazenda, Dario Durigan (PT), e ao ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Rodrigues Pereira.
De acordo com o presidente da Assimpi, Joseph Couri, a proposta já encontra resistência de estados e municípios, que alegam perda relevante de arrecadação e risco à competitividade das pequenas empresas caso o teto seja ampliado.
Entretanto, a Assimpi defende o projeto e argumenta que o discurso contrário ao reajuste inverte a lógica do problema. Para a Assimpi, o ponto central que está sendo ignorado no debate público é que os limites de faturamento do Simples Nacional estão defasados há anos pela inflação.
"Na prática, isso significa que empresas que cresceram apenas para acompanhar o custo de vida, sem qualquer ganho real, acabam sendo empurradas para fora do regime simplificado", alerta Couri
Segundo a entidade, ampliar o teto não é criar um privilégio novo, mas corrigir uma distorção que já existe e que penaliza justamente quem mais gera emprego no País. A Assimpi também rebate o argumento de que a medida provocaria perda bilionária de arrecadação para Estados e municípios.
Para a Assimpi, tratar a correção do teto como renúncia fiscal ignora o custo inverso de manter o limite congelado: empresas represam faturamento para não serem excluídas do regime, o que reduz contratações, investimentos e a própria geração de impostos indiretos pelo consumo. Ou seja, o debate não pode considerar apenas o impacto na arrecadação pública, sem pesar o custo de empurrar negócios formais para a informalidade.
Outro ponto sensível levantado pelos críticos do projeto é o risco de que empresas médias e grandes migrem para o regime favorecido caso os limites sejam ampliados, o que poderia, em tese, prejudicar justamente os pequenos negócios que o Simples deveria proteger. A Assimpi reconhece esse risco, mas defende que ele deve ser tratado na regulamentação da lei, e não como justificativa para manter o teto congelado, já que a alternativa atual também penaliza o pequeno empresário.
A entidade ainda chama atenção para um ponto de convergência, segundo ela, pouco explorado no debate: a indefinição sobre o aproveitamento de créditos tributários do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) por empresas do regime regular que compram de optantes do Simples Nacional.
"Sem regras claras, contratos entre grandes empresas e pequenos fornecedores podem ser rompidos, independentemente de qual lado vencer a disputa sobre o teto. Nesse ponto, a Assimpi cobra que a regulamentação da reforma tributária avance com urgência, para evitar insegurança jurídica nesse elo da cadeia produtiva", diz Couri.
Para o executivo, com a votação se aproximando, a entidade reforça o apelo para que parlamentares ouçam também a voz de quem está na ponta da operação das pequenas empresas, defendendo a aprovação do projeto como medida de justiça fiscal, e não como ameaça à arrecadação pública.
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