Publicado 31/07/2026 22:01 | Atualizado 31/07/2026 22:32
O PP (Progressistas) vetou a possibilidade de a senadora Tereza Cristina (PP-MS) compor a chapa presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidata a vice-presidente. A legenda afirmou, em nota divulgada ontem, que manterá neutralidade na disputa pelo Palácio do Planalto. A decisão frustra os planos de Flávio de ter a ex-ministra da Agricultura em sua chapa e ampliar o tempo de rádio e televisão de sua campanha. Prevaleceu no PP, um dos principais partidos do Centrão, o foco da ampliação da bancada parlamentar.
Publicidade"O Progressistas, após consulta aos seus diretórios estaduais, decidiu, por maioria, permanecer neutro no processo eleitoral. Diante disso, reiteramos a posição de não convocar Convenção Nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela nossa líder no Senado Federal, senadora Tereza Cristina", afirmou a direção nacional do PP.
Flávio disse que respeita a decisão da legenda, mas que não desistirá de tentar conquistar seu apoio. "Óbvio que eu respeito, mas eu sou brasileiro e não desisto nunca", disse o senador, em entrevista coletiva na capital paulista, logo após participar de um evento com vereadores promovido pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB).
O candidato do PL afirmou que seguirá negociando com outras legendas, como o Republicanos e o Podemos. "Até o dia 5 tudo pode acontecer", declarou o bolsonarista, que atribuiu a dificuldade para fechar acordos às diferenças regionais dentro dessas legendas.
O senador procurou minimizar a possibilidade de disputar a eleição sem o apoio formal de outra sigla e afirmou que, independentemente das decisões, contará com o apoio de líderes desses partidos, como a própria Tereza Cristina.
Constrangimento
Minutos antes da divulgação do posicionamento do PP, Flávio Bolsonaro chegou a afirmar a jornalistas que a ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro (PL) havia aceitado seu convite para ser candidata a vice-presidente em sua chapa. Até então, a parlamentar resistia à ideia de ser vice de Flávio e afirmava que sua prioridade era disputar a presidência do Senado A mudança de postura nos últimos dias, porém, alimentou a expectativa de que o PP poderia chancelar sua indicação para a chapa.
Reservadamente, aliados do parlamentar afirmaram que a direção do PP esperou propositalmente o senador ir a público anunciar o aceite de Tereza Cristina para divulgar a nota vetando a composição da chapa, numa tentativa de constrangê-lo.
Líderes do PP ouvidos pelo Estadão afirmam que a decisão de rejeitar uma aliança com Flávio decorre da estratégia eleitoral da legenda. O objetivo do Progressistas é, ao lado do União Brasil, com quem forma uma federação, eleger a maior bancada da Câmara.
"O presidente (nacional do PP) Ciro (Nogueira) consultou os diretórios estaduais, e a maioria defendeu a neutralidade. A decisão foi guiada por uma estratégia eleitoral do PP, que busca eleger, ao lado do União Brasil, a maior bancada da Câmara dos Deputados", afirmou o presidente do PP de São Paulo e deputado federal Maurício Neves.
Segundo ele, a neutralidade permite que cada diretório apoie o presidenciável que mais ajude a eleger deputados federais no Estado. Em São Paulo, por exemplo, o apoio será a Flávio.
O dirigente paulista diz que a estratégia do partido foi concentrar os recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) - o fundo eleitoral - nas eleições proporcionais Caso o PP integrasse a chapa de Flávio, parte do dinheiro iria para a campanha. "Eleição majoritária é como casamento: custa muito dinheiro. A estratégia foi concentrar os recursos do FEFC na eleição de deputados e senadores, e não investir na vice."
Caso Master
Embora integrantes do PP apontem os arranjos estaduais como o principal motivo para a neutralidade, reconhecem, reservadamente, que outros fatores também pesaram. Entre eles, a entrada de Ciro Nogueira na mira das investigações sobre o Banco Master, episódio que levou o dirigente partidário a ficar longe dos holofotes.
Também pesou a forma como Flávio lidou com o caso. O senador gravou um vídeo afirmando considerar "graves" as informações reveladas pela operação. Aliados de Ciro dizem que o presidente do PP ficou "magoado" e esperava apoio do senador, sobretudo após mostrar lealdade à família Bolsonaro. Antes da operação vir à tona, Flávio chegou a declarar que o presidente do PP tinha todas as credenciais para ser vice - embora o dirigente fosse um dos principais entusiastas da candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao Planalto.
Com uma bancada mais numerosa, o PP amplia sua fatia dos fundos partidário e eleitoral, ganha mais acesso às emendas parlamentares, que irrigam suas bases eleitorais, e aumenta seu poder de barganha com o próximo presidente da República, já que será uma peça importante para garantir a governabilidade. A avaliação do partido é que um apoio formal a Flávio poderia prejudicar o desempenho eleitoral da legenda, sobretudo nos Estados em que o PP divide o palanque com o PT ou tem lideranças alinhadas ao presidente.
Republicanos
Flávio participou ontem de um encontro com vereadores da capital Organizada pelo prefeito Ricardo Nunes, a agenda contou também com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que prometeu apoio "irrestrito" e "incondicional" a Flávio em todo o Estado.
Com a negativa do PP, a campanha do PL volta suas atenções para o Republicanos, na tentativa de evitar uma chapa pura e ampliar o tempo de televisão do candidato. Uma das opções para a vice é a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada ao partido. Daniella tem ajudado o senador na elaboração do plano de governo e na interlocução com o mercado financeiro.
Ligado à Igreja Universal e presidido nacionalmente pelo deputado federal Marcos Pereira (SP), o Republicanos ainda não definiu seu posicionamento na disputa presidencial. Pereira, porém, condiciona um eventual apoio a Flávio a concessões do PL em palanques estaduais.
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