Flávio também voltou a defender a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiroReprodução/Globo
Publicado 29/08/2026 07:29 | Atualizado 29/08/2026 07:33
Em sabatina na Globo na noite desta sexta-feira, 28, o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, voltou a dizer que dará anistia ao pai, Jair Bolsonaro, se for reeleito e reafirmou que respeitará o resultado das urnas.
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"Não estou questionando as urnas eletrônicas. Vou respeitar o processo eleitoral, vou respeitar o resultado das eleições", disse.

Durante o programa, ele afirmou que o dinheiro recebido de Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse sobre seu pai, Jair Bolsonaro, foi recebido de "boa-fé" e não envolveu recursos públicos. Ele novamente se negou a apresentar dados de prestações de contas e o contrato da captação de recursos para o filme, alegando que os dados são públicos.

"Foi um patrocínio de boa-fé. Não há nada de irregular", disse o candidato.

Flávio afirmou ainda que uma perícia, citada em reportagem da Veja, concluiu que não houve utilização de dinheiro público no filme. "É uma relação privada", declarou. Segundo o candidato, o custo da produção foi superior ao valor do patrocínio e os recursos foram integralmente destinados ao filme.

Questionado sobre a apresentação do contrato, Flávio afirmou que não assinou nenhum documento relacionado ao patrocínio. "Eu não firmei contrato com ninguém. Meu papel nesse filme foi autorizar o uso da minha imagem", disse.

O candidato também negou ter recebido dinheiro diretamente. "Eu não recebi dinheiro nenhum. Eu não pedi dinheiro, eu pedi um patrocínio", afirmou.

Flávio defende anistia e promete reconstruir relação com STF

Flávio também voltou a defender a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Ao responder sobre quais crimes poderiam ser perdoados, afirmou que a legislação estabelece limites e citou tortura e crimes hediondos entre aqueles que não poderiam ser objeto de anistia.

"Eu, como presidente da República, vou trabalhar para que a anistia seja feita ainda na transição", disse ele.

Questionado sobre declarações anteriores de seu pai contra a credibilidade das urnas eletrônicas, Flávio afirmou que ele próprio se expressou de forma equivocada ao mencionar uma empresa venezuelana como fabricante de urnas. "Falei errado, a empresa venezuelana não fabricou as urnas, fez parte apenas de alguns processos", disse.

Ele afirmou que nunca questionou o processo eleitoral e declarou compromisso com o resultado das eleições. "Quero dizer a todos vocês que vou respeitar o processo eleitoral", afirmou.

Flávio Bolsonaro afirmou que pretende, caso eleito, "restaurar uma boa relação com o STF" e recuperar a "segurança jurídica" no País.

Senador diz que trabalhará para remover tarifas impostas por Trump

Flávio Bolsonaro criticou o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil e afirmou que as empresas brasileiras "não aguentam mais as tarifas".

Ao comentar o agradecimento feito por seu irmão, Eduardo Bolsonaro, a Donald Trump pelas medidas, disse que ele estava "defendendo a liberdade do brasileiro". Flávio também criticou o ministro Alexandre de Moraes, a quem classificou como um dos "maiores violadores do direito internacional".

Ele igualmente afirmou ter dito a Trump que o governo Lula estaria provocando as tarifas ao adotar uma postura de confronto com os Estados Unidos. "Olha só, presidente Trump, parece que o Lula está provocando essas tarifas, atacando os EUA", relatou. Segundo o candidato, se eleito, terá capacidade de negociar "de igual para igual" com Trump e evitar que as tarifas sejam usadas como instrumento de pressão nas relações comerciais.

Na entrevista, ele evitou detalhar qual será a dimensão do ajuste fiscal que promoverá, caso eleito. Flávio mudou de assunto para falar sobre endividamento e repetiu que, se o presidente fosse Jair Bolsonaro (PL), a taxa de juros estaria em 7%, ou seja, metade da atual. Os apresentadores perguntaram, então, qual será a meta de redução da dívida pública na relação com o Produto Interno Bruto (PIB), ao qual ele também não respondeu. Solicitado pelos jornalistas a voltar ao assunto, Flávio disse: "Vou chegar lá, vou chegar lá", mas não citou números.

Candidato questiona ação humana para aquecimento global

Questionado sobre uma declaração de 2019 em que havia afirmado que não existia aquecimento global, Flávio Bolsonaro reformulou sua posição durante a sabatina. O candidato disse acreditar que o que ocorre atualmente são "eventos climáticos extremos", como períodos de excesso de calor, chuva e seca. Ele também afirmou considerar que esses fenômenos têm caráter cíclico e declarou não acreditar que estejam relacionados "diretamente só com a influência do ser humano".

Cesar Tralli perguntou então por que seu plano de governo não apresentava medidas específicas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

"A melhor forma que nós temos de proteger o meio ambiente é oferecer um saneamento básico para a população", afirmou. Ele citou como prioridades o tratamento de esgoto, o fornecimento de água filtrada e o combate aos lixões, associando essas medidas ao marco legal do saneamento aprovado durante o governo de Jair Bolsonaro.

Segundo ele, em grandes áreas de preservação como a Amazônia, "o problema é até mais criminal do que ambiental". O candidato citou a atuação do Comando Vermelho na exploração de ouro em reservas indígenas e afirmou que o combate a esse tipo de atividade será uma das frentes de seu eventual governo.

Flávio diz que homenagem a Adriano da Nóbrega foi antes de acusações sobre relação com milícia

O senador afirmou, durante a entrevista, que a homenagem dada ao miliciano Adriano da Nóbrega, morto em 2020 após confronto com policiais, foi feita antes de acusações de que ele chefiava o "Escritório do Crime" no Rio.

"A homenagem foi feita no momento em que ele era um policial reconhecido. Eu conheci ele dentro do Bope. Não tinha feito absolutamente nada de errado. Não tinha nada contra ele nesta época", afirmou.

Adriano da Nóbrega integrava uma milícia, formada por policiais e ex-policiais, em Rio das Pedras, na zona oeste do Rio. Além da homenagem, Flávio empregou a mãe e a mulher do criminoso após ele ser absolvido por homicídio. O miliciano foi morto em confronto com a polícia no interior da Bahia.

Questionado sobre o apoio ao ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar (União) ao governo do Rio, Flávio disse que não faria o mesmo se soubesse das acusações contra o aliado. Em março, Bacellar foi preso por suposta ligação com o Comando Vermelho.

"É muito grave. Se eu soubesse disso, jamais (o apoiaria). Se forem comprovadas as acusações contra ele, é gravíssimo. O nome dele surgiu por uma composição partidária no Rio em que ele estava sendo indicado por um partido que estava na nossa coalizão. Ele tem direito de se defender e de provar a inocência dele, ou não, na justiça", disse Flávio.

'Médico Claudio Lottenberg será meu ministro da Saúde, se eu for eleito'

Flávio Bolsonaro anunciou que, caso eleito, nomeará o médico Claudio Lottenberg como ministro da Saúde. Segundo ele, o convite foi realizado e aceito.

"Conversei com uma pessoa muito importante, uma pessoa que trabalhou por muito tempo na iniciativa privada, alguém que está pronto para dar sua contribuição na parte da saúde, Claudio Lottenberg, que vai ser o meu ministro da Saúde", declarou.

Graduado em Medicina pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, Lottenberg é médico oftalmologista e atuou na área da Saúde e Administração Hospitalar.

É o primeiro nome para ministério de um eventual governo confirmado por Flávio.

Ainda não há um anúncio sobre quem comandará a área econômica do candidato, caso eleito. A equipe de campanha, no entanto, é formada por nomes como a administradora e ex-presidente da Caixa Daniella Marques, Eduardo Cavendish Carvalho, Alexandre Ywata, Alexandre Mesa, Andrei Spacov, Arilton Teixeira, Myrian Prado e Vladimir Kühl Teles.

'Colinha' na mão

O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), participou da sabatina da Globo com uma ‘colinha’ na mão, nesta sexta-feira, 28.

Durante a participação do candidato na entrevista, diante de Renata Vasconcellos e César Tralli, foi possível ler as expressões "mudança", "futuro" e "7/Set" na mão esquerda de Flávio.

O senador do PL repetiu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, que em na campanha de 2022 foi à sabatina do Jornal Nacional com as palavras "Nicarágua", "Argentina", "Colômbia" e "Dario Messer" escritas na palma da mão.

À época, os termos serviram como um ‘lembrete’ dos tópicos que deveriam ser explorados pelo então presidente da República e candidato à reeleição. No entanto, nenhum deles foram abordados. No segundo turno, em debate com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Bolsonaro apareceu com outra ‘colinha’ na mão.
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