Postagens da campanha de Lula estão com interrupções de funcionamento e de visualizaçõesMarcello Casal Jr / Agência Brasil
Publicado 14/10/2026 18:25
O senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou nesta quarta-feira, 14, que irá denunciar os indícios de interferência eleitoral da Meta à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e à Organização dos Estados Americanos (OEA). Observadores internacionais que atuam no Brasil também foram convidados a se reunir com a campanha para receber as acusações.

"Não podemos admitir essa interferência que está ocorrendo aqui com as big techs, principalmente com a Meta, nestas eleições. A gente está tomando várias medidas importantes, medidas na área judicial, junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e pedindo que o TSE tome as medidas cabíveis e as providências em relação a isso. Nós não podemos desequilibrar essa eleição, ela precisa ser imparcial em relação a isso", disse Camilo.

De acordo com Camilo, nas redes sociais da Meta, estão havendo interrupções de funcionamento e de visualizações de postagens da campanha de Lula. O ministro também denunciou que a IA da big tech fornece cartazes para o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), ao mesmo tempo que nega fazer o mesmo para o petista.

Outra denúncia da campanha é que, quando usuários pesquisam o grupo "Exército de Lula" no WhatsApp, é sugerido para eles o bolsonarista "Tropa do Flávio".

Camilo disse também que a campanha irá compartilhar as denúncias contra a Meta de diferentes formas. Nesta quarta-feira, 14, foi realizada uma reunião com parlamentares e políticos de 12 países diferentes para discutir o tema. Os países foram: Espanha, Reino Unido, Argentina, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Guatemala, Honduras, Moçambique, Uruguai e Venezuela.

O senador disse também que a campanha está cobrando um endurecimento da postura do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as denúncias feitas contra a Meta. O ministro disse ainda que a big tech reconhece a falha técnica, mas não se dispõe a apresentar maior transparência.

A campanha anunciou que uma nota com todos os indícios denunciados pelo PT será divulgada à imprensa até o final do dia

'Outro patamar de manipulação'

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O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, também declarou nesta quarta-feira, 14, que a Meta está proporcionando um "outro patamar de manipulação" contra a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo Valadares, a big tech não consegue comprovar que falhas nas redes sociais são "obra do acaso".

"A Meta não consegue nos provar que isso é fruto do acaso, porque, novamente, as páginas ligadas ao nosso adversário não sofrem os mesmos problemas técnicos que a nossa campanha", declarou Valadares.

O secretário do PT afirmou ainda que o processo de manipulação por parte das redes sociais não é uma "novidade", mas que, no Brasil, isto está ocorrendo de uma forma mais agressiva.

Éden disse também que, apesar de haver apenas 11 dias até a realização do segundo turno da eleição presidencial, já seria um movimento positivo caso a Meta mude o padrão e dê um tratamento igualitário para as duas campanhas.
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