Casa alvo de operação em Búzios Foto: Reprodução
Publicado 04/08/2026 14:38
Uma pousada em Armação dos Búzios amanheceu na mira da Polícia Civil nesta terça-feira (4). O estabelecimento é alvo de um mandado de busca e apreensão durante a Operação Quimera, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas e que, segundo as investigações, movimentou mais de R$ 11 milhões.
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Além da pousada, agentes também cumprem mandados em endereços da capital fluminense. A operação é coordenada por policiais da 52ª Delegacia de Polícia de Nova Iguaçu (52ª DP), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), além de equipes da Core e do Departamento-Geral de Polícia da Baixada Fluminense (DGPB).
De acordo com a Polícia Civil, o grupo investigado utilizava empresas e pessoas físicas para esconder a origem do dinheiro obtido com atividades criminosas e reinserir esses recursos na economia formal.
As investigações começaram depois que dirigentes de um clube recreativo denunciaram ameaças para deixar a administração do espaço. Segundo a polícia, criminosos exigiam o controle do local e ainda cobravam R$ 6 mil por mês para permitir que o clube continuasse funcionando sem represálias.
Durante as apurações, os investigadores identificaram que pessoas ligadas à organização criminosa passaram a controlar informalmente outro clube recreativo, administrando eventos, movimentações financeiras e decisões internas, mesmo sem qualquer vínculo legal com a instituição.
A investigação também apontou a atuação de um núcleo familiar responsável pela movimentação financeira do esquema. Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) indicaram movimentações milionárias incompatíveis com a renda declarada dos investigados, além de centenas de transferências bancárias, depósitos em dinheiro e operações via PIX entre familiares, empresas e pessoas físicas.
No caso da pousada em Búzios, a Polícia Civil afirma que o estabelecimento pode ter sido utilizado para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas. Apesar de possuir apenas 16 quartos, cinco funcionários e cobrar diárias em torno de R$ 540 na alta temporada, o local teria movimentado cerca de R$ 3,44 milhões em pouco mais de seis meses. No mesmo período, foram registrados mais de 600 depósitos em espécie, que somaram aproximadamente R$ 955 mil.
Além das buscas, a Justiça foi acionada para determinar o bloqueio de contas e ativos financeiros, a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, restrições sobre veículos e participações societárias, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.
A operação faz parte da Operação Contenção, estratégia do Governo do Estado voltada ao combate à atuação de organizações criminosas.
A reportagem tentou contato com a administração da pousada citada nas investigações, mas não conseguiu localizá-la até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.
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