Publicado 03/02/2022 18:33
Uma reviravolta mudou o rumo das investigações do assassinato envolvendo uma suposta travesti no bairro Monte Alegre III, em Cabo Frio, na Região dos Lagos. O crime brutal aconteceu no último domingo (30), comovendo toda a comunidade e tomando proporção nacional.
A novidade é que o corpo encontrado com diversas marcas feitas por tijoladas não se trata de uma travesti. A informação foi dada por integrantes de movimentos LGBTI e do Centro de Cidadania LGBTI da Baixada Litorânea I e II, que estiveram no Instituto Médico Legal (IML) de Cabo Frio, buscando informações. Um exame de papiloscopia – que identifica o corpo por meio de digitais nas mãos e pés – feito na unidade concluiu que o trata de um homem identificado como Valcilan Braga Correia.
A informação de que a morte seria de uma travesti partiu de uma fonte inicial que esteve no local e de levantamentos com moradores do local. De acordo com o relato, os vizinhos ouviram uma voz afeminada gritando “pelo amor de Deus, me bate, mas não me mata” por volta de 10h do dia do crime. Depois disso o corpo foi encontrado de bruços, vestindo uma blusa rosa e uma calça cinza. A posição da vítima não possibilitava uma identificação precisa.
Muitos chegaram a suspeitar que uma pessoa conhecida na localidade como Pamela, a “Peppa”, seria a vítima. Essa informação se espalhou e por isso surgiu a informação de se tratar de uma travesti.
Como o bairro é conhecido por ser um local perigoso e de ‘desova’, muitas informações são ocultadas por medo de represálias, o que também dificultou as investigações.
A informação de que a morte seria de uma travesti partiu de uma fonte inicial que esteve no local e de levantamentos com moradores do local. De acordo com o relato, os vizinhos ouviram uma voz afeminada gritando “pelo amor de Deus, me bate, mas não me mata” por volta de 10h do dia do crime. Depois disso o corpo foi encontrado de bruços, vestindo uma blusa rosa e uma calça cinza. A posição da vítima não possibilitava uma identificação precisa.
Muitos chegaram a suspeitar que uma pessoa conhecida na localidade como Pamela, a “Peppa”, seria a vítima. Essa informação se espalhou e por isso surgiu a informação de se tratar de uma travesti.
Como o bairro é conhecido por ser um local perigoso e de ‘desova’, muitas informações são ocultadas por medo de represálias, o que também dificultou as investigações.

O Centro de Cidadania LGBTI da Baixada Litorânea I e II emitiu uma nota técnica sobre o caso. Confira:
“O Centro de Cidadania LGBTI da Baixada Litorânea I e II, na pessoa do seu Coordenadore Theo Silveira, vem esclarecer sobre o suposto crime de LGBTIfobia, no dia 30/01/2022, ocorrido na comunidade Monte Alegre III, em Cabo Frio.
Junte ao coordenadore, teve a presença da advogada Rute Fiuza, do Centro de Cidadania LGBTI da Baixada Litorânea I e II, da Laysa Jotha, coordenadora da Rede Transformar, Fernanda Machado representando o Conselho Estadual LGBTI e Pedro Rosa, Superintendente de Políticas Públicas LGBTI de Cabo Frio, onde estiveram no IML para reconhecimento e confirmação sobre a identidade de genêro e/ou orientação sexual.
Durante o reconhecimento foi possível constatar pela equipe, nenhum indício que corroborem para a identidade trans feminina da vítima, conforme exposto pela mídia anteriormente, mas não sendo possível confirmação da orientação sexual.
A equipe de legista do IML, por meio dos exames efetuados, foi possível o reconhecimento da vítima e dessa forma, decorrendo investigação e procura dos familiares.
Portanto, devido ausência de confirmação de orientação sexual e ausência de identidade trans, o Centro de Cidadania LGBTI supõe não existir o crime de LGBTIfobia, deste modo, encerrando o acompanhamento do caso”.
O Movimento de Mulheres Olga Benario e o Movimento de Mulheres da Região dos Lagos que estavam organizando o ato “contra o transfeminicídio e pela vida de todas as mulheres” ainda não confirmou se a plenária, prevista para acontecer nesta sexta-feira (4), a partir das 18h, na Praça Porto Rocha, vai ser mantida.
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