Publicado 27/01/2026 19:57 | Atualizado 27/01/2026 22:36
Campos - A intervenção dos Estados Unidos (EUA) na Venezuela pode ter reflexos no interior do estado do Rio de Janeiro, onde mais de 22 mil venezuelanos já são acolhidos e a tendência é o número aumentar. Não há dados oficiais, apenas expectativas, a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de que a população venezuelana no Brasil tem crescido, já registrando quase 94 vezes mais do que há 12 anos antes.
PublicidadeNo caso do estado do Rio, de acordo com o IBGE, estão apontados, de 2019 a 2025, 1.271 imigrantes venezuelanos com moradias em Campos dos Goytacazes e em Macaé, na região norte fluminense. O Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), observa que o maior fluxo aconteceu em 2012, ano em que Hugo Chávez foi reeleito para o quarto mandato.
Um dado que impressiona, em nível nacional, destacado pelo IBGE, é que venezuelanos residindo no Brasil já ultrapassam portugueses e passam a liderar o ranking de estrangeiros morando no país, posição até então de imigrantes lusitanos. O IBGE assinala que é a primeira vez na história que o contingente de portugueses deixa a ponta do ranking, com os venezuelanos avançando de 2.869, em 2010, para 271.514 em 2022.
O crescimento é absurdo, chegando a mais de 9.300%, e a projeção sinaliza a tendência de mudança significativa no quadro. Uma das preocupações é que os refugiados que chegam , especialmente ao norte fluminense, geralmente não têm contatos nem formação; faltam perspectivas. E os acolhimentos estão sendo por meio da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).
A federação revela que as unidades da Firjan SENAI de Campos e Macaé têm sido uma porta de entrada para ajudar os refugiados a retomarem a vida e a se inserirem no mercado de trabalho: “Mais que isso, alguns ainda ganham para a estudar, via programa Autonomia e Renda da Petrobras”, destaca apontando pontuando exemplos.
“Temos dois alunos em Campos e até um professor em Macaé, que soube da ‘terra do petróleo’ quando buscava oportunidades em Lima, no Peru’, cita a Firjan frisando que, atualmente, há venezuelanos matriculados em 14 unidades da instituição em todo o estado: “Nos últimos cinco anos, a Firjan SENAI recebeu matrículas de 799 estrangeiros, sendo quase um terço deles (32%) venezuelanos (252)”.
OPORTUNIDADES - Entre os entrevistados está Yoanni Lisseth Romero, 36 anos, pintora industrial e estagiária de técnico de enfermagem. Ela Fez o curso de pintura industrial por meio do programa Autonomia e Renda - que oferece bolsa-auxílio para estudar - e busca o apoio do programa ‘Escritório de Carreira’ da Firjan SENAI SESI, que conecta talentos a oportunidades na indústria.
Yoanni diz que chegou ao Brasil em busca de novas oportunidades e trabalha com serviços gerais. Sobre a situação do seu país, ela considera complexa, com crise econômica e social há vários anos, escassez de medicamentos e alimentos, queda nos serviços públicos, pobreza e insegurança. Ederson Luis Leon Raga, 35 anos, pedreiro e desenhista cadista também se manifesta.
O imigrante está cursando caldeiraria e caldeireiro montador na Firjan SENAI Campos. Na Venezuela trabalhava como obreiro na indústria do petróleo e também como pedreiro; está desempregado. Em Macaé, Francisco Antonio Pérez Soto, 36 anos, é instrutor técnico e técnico de manutenção eletrônica, e engenheiro de telecomunicações formado na Venezuela. Em 2024, tornou-se professor da Firjan SENAI.
A constatação de que a busca por amparo no Brasil a partir da intervenção estadunidense na Venezuela aumenta é firmada pela informação, do governo brasileiro, de que em 2025 foram registrados 19.956 pedidos de refúgio por venezuelanos. E a possibilidade de o interior do estado do Rio de Janeiro, onde 22.125 já residem, ser opção não está afastada.
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