Diariamente agentes que atuam nos programas assistenciais fazem abordagens em diversos pontos estratégicos Foto SMASC
Publicado 20/07/2026 12:59
Campos – Perda de renda, rupturas de vínculos familiares, dependência química e a falta de moradia adequada. Estas são as principais causas do aumento da população em situação de rua no Brasil, chegando a 88% nos últimos anos, segundo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da Universidade Federal de Minas Gerais.
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O fenômeno é refletido em Campos dos Goytacazes, maior município em extensão territorial do estado do Rio de Janeiro, onde a estimativa é que existam cerca de 310 pessoas em situação de rua , mais de 50% migrantes de outros municípios, recebendo atenção especial. A constatação é que conflitos e separações dentro do núcleo familiar, desemprego e dependência química são gatilhos recorrentes.
A Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SMASC) desenvolve ações de acolhimento e assistência social envolvendo os profissionais do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) e do programa Consultório na Rua com suporte em Casa de Passagem. A maioria é do sexo masculino (cerca de 80%) e a faixa etária principal concentra-se entre 40 e 59 anos.
Segundo o secretário, Rodrigo Carvalho, além de abrigos, são disponibilizados serviços de regularização de documentos, encaminhamento para atendimentos de saúde e emprego. Uma das ferramentas é o Acolhe Campos, que oportuniza as pessoas em situação de rua um vaga no mercado de trabalho.
Rodrigo pontua que, embora diariamente sejam feitas abordagens pelas equipes em diversos pontos da cidade, a decisão de ir ou não para o abrigo ou se aceitar o atendimento é do indivíduo. “Através do Centro Pop, as pessoas são encaminhadas para quatro abrigos municipais: Casa de Passagem, Lar Cidadão, Manoel Cartucho, e uma Organização da Sociedade Civil (OSC) cofinanciada pela secretaria”, ressalta.
AÇÃO DA SAÚDE - A Secretaria de Saúde também está envolvida no desafio, por meio do Programa Consultório na Rua, com ações contínuas em diferentes pontos estratégicos de Campos, como a Praça da República, Praça São Salvador, Rodoviária Roberto Silveira, Mercado Municipal, Jardim do Liceu, Pelinca, região central da cidade e Guarus.
Em média, são realizadas 46 ações por mês e acompanha mais de 300 pessoas em situação de vulnerabilidade cadastradas. Uma equipe multiprofissional percorre os locais, oferecendo acolhimento, escuta qualificada, orientações e encaminhamentos para a rede pública de saúde.
O coordenador do Consultório na Rua, Rodolfo Brandão, comenta que o trabalho vai muito além do atendimento clínico e busca garantir que essas pessoas consigam acessar toda a rede de assistência: “Além disso, a equipe mantém atividades permanentes em instituições de acolhimento vinculadas à Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania”.
VÁRIAS DEMANDAS - Rodolfo realça que, “entre as principais demandas atendidas estão os cuidados relacionados à saúde mental, o acompanhamento de doenças crônicas, como hipertensão arterial e diabetes, o atendimento a pessoas com uso abusivo de substâncias psicoativas e o encaminhamento para necessidades sociais, como acesso à documentação e a benefícios assistenciais”.
O coordenador assinala que a equipe é formada por técnicos de enfermagem, enfermeiro, médico, psicólogo e assistente social: “Embora toda a rede de saúde seja responsável pelo atendimento à população em situação de rua, muitas vezes somos os profissionais que estão presentes no território, criando esse primeiro vínculo”.
No desdobramento Rodolfo enfatiza que são realizados os encaminhamentos para exames e para as Unidades Básicas de Saúde, hospitais, e também para a Rede de Atenção Psicossocial, incluindo os CAPS: “Nosso objetivo é garantir que essa população tenha acesso aos serviços de saúde e receba o cuidado de que necessita", conclui.
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