Publicado 14/05/2026 14:11
Casimiro de Abreu - A busca por mais igualdade no acesso ao serviço público ganhou um novo capítulo em Casimiro de Abreu. O município passou a contar com uma legislação específica que estabelece cotas raciais em concursos públicos, processos seletivos e contratações temporárias, medida que amplia oportunidades e fortalece políticas de inclusão social na cidade.
PublicidadeA nova lei, sancionada em abril pelo prefeito de Casimiro de Abreu, determina a reserva de 25% das vagas para pessoas pretas e pardas, 3% para indígenas e 2% para quilombolas. A iniciativa atende a uma recomendação expedida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e acompanha diretrizes nacionais voltadas à promoção da igualdade racial.
A legislação surge como uma resposta histórica à necessidade de ampliar a representatividade dentro da administração pública, criando mecanismos para reduzir desigualdades estruturais e garantir mais acesso a grupos socialmente vulnerabilizados.
A recomendação do Ministério Público foi encaminhada ao município pela 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Macaé ainda no ano passado. O documento orientava a elaboração de um projeto de lei municipal voltado à implementação de ações afirmativas nos certames públicos.
A medida segue fundamentos previstos na Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância, tratado internacional aprovado pela Organização dos Estados Americanos e incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro após ratificação do Governo Federal em 2022.
O texto da convenção prevê que os países signatários adotem políticas públicas capazes de promover igualdade de oportunidades, inclusão social e reparação histórica para populações atingidas por discriminação racial e exclusão ao longo das décadas.
A legislação municipal terá validade de dez anos e estabelece critérios para aplicação das cotas nos futuros processos seletivos realizados pela administração pública local. A expectativa é que a medida contribua para uma composição mais diversa no funcionalismo municipal, refletindo de forma mais ampla a realidade social da população.
Além do impacto institucional, a iniciativa também reforça debates sobre representatividade, acesso a direitos e fortalecimento de políticas públicas voltadas à inclusão racial no interior do estado do Rio de Janeiro.
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