Lideranças religiosas participaram de formação sobre acolhimento e encaminhamento de mulheres em situação de violênciaFoto: Divulgação
Publicado 12/08/2026 10:23
Casimiro de Abreu - A igreja pode ser o primeiro lugar onde uma mulher encontra coragem para falar sobre a violência que sofre dentro de casa. Uma conversa com uma liderança religiosa, um pedido de ajuda ou até mesmo uma mudança de comportamento podem ser sinais de uma realidade que permanece escondida por medo, vergonha ou dependência. Em Casimiro de Abreu, essa proximidade colocou as lideranças religiosas no centro de uma discussão sobre prevenção, acolhimento e proteção.

Representantes de diferentes instituições religiosas participaram da formação Lideranças Religiosas no Acolhimento de Mulheres em Situação de Violência, realizada no CineTeatro Meus Oito Anos. A iniciativa integrou a programação do Agosto Lilás e foi promovida pelo Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) e pela Patrulha Maria da Penha, em parceria com a Polícia Civil.

A escolha das igrejas como público da capacitação tem relação direta com a realidade enfrentada por mulheres em situação de violência. Dados do Instituto de Pesquisa DataSenado e da Secretaria de Transparência do Senado Federal, divulgados em novembro de 2025, apontam as instituições religiosas como o segundo principal local procurado por mulheres em busca de ajuda, atrás apenas da família.

Lideranças religiosas participaram de formação sobre acolhimento e encaminhamento de mulheres em situação de violência - Foto: Divulgação
Lideranças religiosas participaram de formação sobre acolhimento e encaminhamento de mulheres em situação de violênciaFoto: Divulgação
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Em Casimiro de Abreu, os números também ajudam a dimensionar essa relação. Das 111 mulheres atendidas pelo CEAM em 2025, 73 declararam possuir alguma religião. O dado reforça a importância de aproximar as comunidades religiosas dos serviços que integram a rede municipal de proteção.

Durante a formação, as lideranças religiosas receberam orientações sobre os diferentes tipos de violência contra a mulher, conheceram dados relacionados à violência de gênero e participaram de discussões sobre a Lei Maria da Penha, que completa 20 anos no próximo dia 7 de agosto.

A programação contou com a participação da coordenadora da Coordenadoria da Mulher, Anna Carolina Sobrinho; da coordenadora da Patrulha Maria da Penha, Ariana Barbosa; da psicóloga do CEAM, Viviane Class; e da delegada titular da 121ª Delegacia de Polícia de Casimiro de Abreu, Carla Tavares.

A proposta é deixar as lideranças religiosas mais preparadas para uma situação que pode surgir dentro de uma comunidade de fé. O papel desses representantes não é substituir psicólogos, assistentes sociais ou policiais, mas saber ouvir, evitar julgamentos e orientar a mulher sobre os caminhos seguros para buscar atendimento especializado.

Para a delegada Carla Tavares, essa preparação é fundamental diante da confiança que muitas mulheres depositam nas instituições religiosas.

“Sabemos que a igreja é o segundo local onde essas mulheres buscam ajuda. Por isso, é fundamental que as lideranças estejam preparadas para acolher e orientar. O mais importante é encaminhá-la para a rede de proteção, como o CEAM e a Patrulha Maria da Penha, onde há profissionais capacitados para oferecer o atendimento adequado a cada situação”, afirmou.

A discussão também chama atenção para situações em que a violência não aparece de forma evidente. Agressões físicas podem dividir espaço com ameaças, humilhações, controle financeiro, perseguição, isolamento e outras formas de violência. Em muitos casos, a primeira pessoa a perceber que algo não está bem pode ser alguém próximo da vítima.

Por isso, a orientação é que o acolhimento aconteça sem culpabilizar a mulher e sem pressioná-la a tomar decisões para as quais ainda não esteja preparada. A prioridade é garantir segurança e aproximá-la dos profissionais que podem avaliar cada situação e indicar as medidas necessárias.

A formação terá continuidade com um novo encontro para representantes religiosos que não participaram desta edição. A iniciativa também será levada a Barra de São João, distrito que, junto com a sede do município, concentra o maior número de registros de violência doméstica em Casimiro de Abreu.

Ao aproximar igrejas e serviços especializados, a ação amplia uma rede que precisa estar presente onde as mulheres vivem, trabalham, convivem e buscam apoio. Nesse caminho, as lideranças religiosas podem exercer um papel importante: ouvir sem julgamento, reconhecer sinais de violência e ajudar a transformar um pedido de socorro em acesso à proteção.


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