"O Rio está mudando": governador Cláudio Castro (PL) fala com exclusividade à Coluna Andrei LaraAL
Publicado 23/08/2025 11:29 | Atualizado 23/08/2025 11:36
Ontem, sexta-feira, 22, o governador Cláudio Castro (PL) esteve na Ilha do Governador, dias após o tumulto que tomou conta da região, quando moradores incendiaram ônibus em protesto contra a insegurança e a demora na resposta do poder público. No local, ele entregou 23 novas viaturas semiblindadas à Polícia Militar, reforçando o policiamento e buscando dar uma resposta imediata à população.
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Durante um almoço oferecido a cerca de 100 pessoas pelo deputado federal Áureo Ribeiro (Solidariedade), este colunista foi um dos convidados. No meio da agenda, Cláudio Castro parou tudo o que estava fazendo e concedeu uma entrevista exclusiva. Sem papas na língua, falou de política, turismo, cultura e segurança, mandou recado para adversários, disse que é “muito difícil” pensar em uma dobradinha com Eduardo Paes — tema que só voltará a discutir depois do Carnaval — e comemorou os números que, segundo ele, provam que “o Rio de Janeiro da sua gestão é outro Rio de Janeiro”.

Andrei Lara: Governador, o senhor citou hoje, em uma entrevista a uma emissora de rádio, que o Estado reflete de forma exagerada os seus problemas e que ainda há muitas melhorias para serem mostradas. O que o Rio de Janeiro tem feito que a população talvez não saiba?

Governador Cláudio Castro: Olha, sem exagero, sobretudo de 2020 para cá, só falando de dados oficiais. Nós éramos o 23º colocado em geração de emprego, e já pelo terceiro ano consecutivo somos o 2º colocado. Éramos o 21º em abertura de empresas, hoje também estamos pelo terceiro ano no 2º lugar. Em governo digital, saímos da 21ª posição para sermos, pelo 3º ano seguido, o governo mais digital do Brasil. Nós tínhamos serviços que não funcionavam. Em pouco mais de dois anos de concessão, já levamos água para mais de 1 milhão de pessoas que não tinham acesso em casa. Algumas praias, que há mais de duas décadas estavam impróprias, hoje estão liberadas para banho — como Paquetá, Flamengo, Botafogo e Glória — e já voltaram a receber banhistas. Reabrimos 11 restaurantes do povo a R$ 1 e implantamos mais de 50 bases do Café do Trabalhador, que garante café da manhã para quem sai de casa sem ter o que comer. Na segurança, passamos de 20 para 50 bases do Segurança Presente. E todos os índices da segurança pública melhoraram — todos, sem exceção. Na cultura, completamos em março R$ 1 bilhão investido, quando antes praticamente não havia investimento. Em 2024, batemos todos os recordes em saúde, e hoje o Rio é o único estado da federação com SAMU em 100% dos municípios. São vitórias muito expressivas que, infelizmente, parte da mídia não mostra. Preferem evidenciar apenas os nossos problemas. Mas os anuários da segurança pública de 2023 e agora de 2024 comprovam: o Rio de Janeiro está melhorando, e os números estão aí para mostrar isso.


Andrei Lara: Em junho deste ano, o Instituto de Segurança Pública apontou uma queda de 20,5% na letalidade violenta, em comparação com o mesmo período do ano passado. A que o senhor atribui esse resultado? O Rio de Janeiro está mais seguro em sua opinião?

Governador Cláudio Castro: O que eu digo a respeito disso é que sempre afirmei que não precisava da ADPF 635 (ADPF das Favelas). Essa decisão que restringiu a atividade da polícia só atrapalhou. Não é restringindo a atuação policial que você reduz a letalidade. A prova está aí: quando liberou, conseguimos reduzir ainda mais. O que de fato faz cair a letalidade policial é investimento. É drone, é tecnologia, é câmera, é software, para que você tenha certeza do que está fazendo. Quando há equipamento de inteligência adequado, você evita operações letais. Isso é muito melhor do que simplesmente restringir a polícia de trabalhar, porque o efeito colateral é enorme — e foi exatamente isso que o Rio de Janeiro viveu.


Andrei Lara: O senhor agora está à frente do Consórcio Sul-Sudeste. Qual a importância disso?
Governador Cláudio Castro: Só para você imaginar: hoje o Rio de Janeiro lidera a mudança da legislação da segurança pública. Lidera também a mudança na legislação dos precatórios, com a PEC 660. O Rio de Janeiro está à frente da discussão sobre a dívida dos estados, com o Propague. E ainda conduz o Consórcio Sul-Sudeste. Basta ver que estamos diante de um outro Rio de Janeiro. Em que momento o estado teria protagonismo em áreas tão estratégicas como dívida pública, precatórios e segurança pública?

Andrei Lara: A cultura do Estado do Rio de Janeiro hoje é referência nacional. É o maior investimento financeiro nos municípios fluminenses em toda a história. Qual a fórmula?
Governador Cláudio Castro: Porque entendemos, desde o início da gestão, que toda a lei de incentivo à cultura estava concentrada na capital. O que fizemos? Primeiro, retiramos os grandes eventos da lei de incentivo, porque eles consumiam praticamente todos os recursos disponíveis. Em seguida, criamos uma regra: a cada dois reais investidos na capital, um real teria obrigatoriamente que ser investido no interior. Além disso, introduzimos uma inovação importante: até o valor de R$ 355 mil, o incentivo pode ser solicitado por CPF, não apenas por CNPJ. Isso abriu a oportunidade para o pequeno fazedor de cultura, aquele produtor independente, associação de moradores ou coletivo que não tem empresa formalizada, mas deseja realizar seu projeto. Outra iniciativa que nos fortaleceu muito neste ano foi o apoio direto às festas agropecuárias e agrícolas do interior. Esses eventos movimentam as cidades, atraem público, lotam hotéis e restaurantes, e o resultado tem sido extremamente positivo.

Andrei Lara: O que o senhor veio fazer na Ilha do Governador hoje?

Governador Cláudio Castro: Vim entregar viaturas semiblindadas para reforçar o policiamento da região.


Andrei Lara: Entre janeiro e julho de 2025, o estado do Rio de Janeiro recebeu 1.324.000 turistas internacionais, atingindo 73,6% da meta anual de 1,8 milhão. Esse número representa 86,7% do total de 2024, e já se projeta a possibilidade de superar a marca de 2 milhões de turistas estrangeiros em 2025. O que esses números dizem?

Governador Cláudio Castro: Deve estar muito ruim, né? Tá todo mundo vindo pra cá… Deve tá ruim pra caramba. Não deve ter evento, não deve ter hotel, não deve ter segurança, não deve ter nada por aqui: 73% das pessoas programadas pra virem no ano já vieram só no primeiro semestre. Gente, o Rio está melhorando. É óbvio que tem um pessoal que não consegue enxergar isso. Eu até respeito, mas o Rio está mudando. Não é só pro morador, não. Quem vem ao Rio está voltando pra casa com vontade de divulgar. Isso deve-se também à política de investimento do Estado do Rio de Janeiro. Esse ano investimos em propaganda em Paris, em Nova Iorque, e agora em Londres. O Rio de Janeiro voltou a ser protagonista para o mundo inteiro. E fora os shows internacionais, que voltam os olhares do mundo para o Brasil. Não interessa se o artista é de direita, de esquerda, de centro… o que interessa é que ele faça o show e mostre o Rio de Janeiro para o mundo.

Andrei Lara: Eduardo Paes vem se aproximando do senhor. Há possibilidade de uma dupla atitude, uma parceria entre Cláudio Castro e Paes?

Governador Cláudio Castro: É muito difícil, Andrei! Eu sou de um partido que acompanha o presidente Bolsonaro, enquanto ele é de um partido que acompanha o presidente Lula. É óbvio que a política é dinâmica, mas, neste momento, o que a gente tem que fazer é deixar a eleição para o ano que vem e trabalhar muito junto. Porque o que a população elegeu, tanto a mim quanto a ele, é para que a gente trabalhe junto e deixe a eleição para a época da eleição. Então, vamos pensar na eleição lá depois do Carnaval — aí a gente começa a pensar.

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