Publicado 14/02/2026 18:27
Quando o samba encontra propósito, a avenida sente. E foi exatamente isso que aconteceu com a Unidos de Bangu na noite de ontem. A vermelho e branco da Zona Oeste, quarta a desfilar pela Série Ouro, levou para a Sapucaí uma homenagem à trajetória de Leci Brandão e transformou o desfile em um verdadeiro ato de reverência, identidade e pertencimento.
PublicidadeDesde os primeiros acordes, era possível perceber que não se tratava apenas de mais um enredo biográfico. Era um tributo carregado de significado. A comunidade abraçou a proposta e desfilou com brilho nos olhos. Cada ala parecia entender o peso do que estava sendo contado ali. Não era só sobre música. Era sobre representatividade, resistência e legado.
No carro de som, Pipa Brasey viveu uma noite especial. A intérprete oficial da agremiação surgiu com um figurino impactante, inspirado nas casinhas palafitas e nas tradicionais baianas do samba. O visual dialogava diretamente com a narrativa do enredo e reforçava a estética popular que marca a trajetória da homenageada. Era beleza com conceito. Era figurino com discurso.
E a voz veio segura, potente, emocionada. A cada refrão, a Sapucaí respondia. Arquibancadas, frisas e camarotes cantavam junto, num daqueles momentos em que o samba extrapola o desfile e vira comunhão coletiva. Quem estava presente sentiu.
Após cruzar a linha final, Pipa não escondia a emoção. Ainda ofegante e visivelmente tocada pelo que viveu, falou sobre o significado daquele carnaval.
“Estar na Bangu há quatro anos e neste carnaval poder exaltar essa mulher com tanta representatividade através do que amo fazer, que é cantar, não tem preço. Fiquei super emocionada olhando o público nas arquibancadas, frisas e camarotes cantando o samba com a gente. Sem contar que toda escola abraçou essa linda homenagem.”
Um dos pontos altos da apresentação foi a passagem da terceira alegoria, batizada de “Quilombo da Diversidade”. Foi ali que Leci surgiu, sendo saudada pela comunidade e pelo público. O encontro entre intérprete e homenageada teve clima de reconhecimento mútuo. Pipa fez questão de abraçá-la e reforçar, ali mesmo, na avenida, o quanto sua trajetória inspira gerações, especialmente as mulheres que constroem o samba todos os dias.
A Unidos de Bangu não fez apenas um desfile bonito. Fez um desfile coerente. Conectado com sua comunidade, com sua identidade e com a história que escolheu contar. Quando a escola pisa na avenida com verdade, o resultado aparece. E apareceu.
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