Benny Briolly e Fernanda Louback discutem no plenário durante a votação do título de Cidadã Niteroiense para Ludmilla, em sessão que dividiu Niterói e rachou a Câmara Foto: Sérgio Gomes
Publicado 04/03/2026 16:18 | Atualizado 04/03/2026 16:21
A Câmara Municipal de Niterói viveu uma sessão tensa nesta terça-feira, 3 de março, durante a votação do projeto que concedeu à cantora Ludmilla o título de Cidadã Niteroiense. A proposta, apresentada pela vereadora Benny Briolly (PSol), foi aprovada por 8 votos a 6, mas o que deveria ser uma discussão sobre homenagem e mérito acabou se transformando em um embate acalorado com a vereadora Fernanda Louback (PL), em mais um episódio em que a política falou mais alto que a serenidade.
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Benny, autora da proposta, defendeu a honraria destacando a representatividade de Ludmilla como mulher negra e LGBT+, enquanto Fernanda Louback puxou a discussão para a apresentação da artista no Réveillon de Niterói e citou a chamada Lei Anti Oruam, sancionada no município no fim de 2025, para sustentar sua posição contrária. A divergência entre as duas rapidamente elevou o tom da sessão e levou a discussão para um campo muito mais ideológico do que propriamente objetivo.
No meio desse confronto, o nome de Ludmilla acabou lançado ao centro de um desgaste que parece, no mínimo, desnecessário. Independentemente da opinião de cada um sobre a homenagem, é difícil imaginar que a cantora tivesse qualquer interesse em ver sua imagem envolvida em uma briga partidária tão ruidosa. No fim das contas, a artista parece ter ido parar, de gaiato no navio, em uma disputa que diz mais sobre a polarização política do que sobre ela mesma.
E é justamente aí que fica a pergunta. Este colunista não é de Niterói, não acompanha de perto o cotidiano político da cidade e, por isso mesmo, questiona com todo respeito a quem vive essa realidade: o que Ludmilla fez, objetivamente, por Niterói para merecer esse título? Perguntar não ofende. Ao contrário. Ajuda a tirar a discussão do campo da ideologia e trazê la para o mérito, que deveria ser o verdadeiro centro de qualquer honraria.
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