Constanza Cavalli Etro e Lucas Leão ajudam a marcar a nova fase do Rio Fashion Week, em uma edição que aproxima projeção internacional e moda brasileira autoralFotos: redes sociais. Montagem da coluna.
Publicado 17/03/2026 18:34 | Atualizado 17/03/2026 18:39
 O Rio Fashion Week volta ao centro da conversa no universo da moda ao reunir, em uma mesma edição, nomes que representam bem a proposta desse novo momento do evento. De um lado, Constanza Cavalli Etro, figura com trânsito no circuito internacional e ligada a iniciativas de valorização de talentos. Do outro, Lucas Leão, estilista carioca que vem se destacando por imprimir identidade brasileira à alfaiataria. Juntos, eles ajudam a simbolizar uma edição que aposta na conexão entre o olhar global e a força criativa local.
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A presença de Constanza no Rio Fashion Week dá dimensão internacional à programação. Fundadora do Fashion Film Festival Milano e cofundadora do Latin American Fashion Awards, ela construiu uma trajetória ligada à moda, ao audiovisual e à descoberta de novos nomes. Sua participação no evento não representa apenas prestígio, mas também reforça a intenção de ampliar o alcance do Rio Fashion Week e colocá-lo em diálogo com discussões mais amplas sobre mercado, imagem e formação de criadores.
Já Lucas Leão surge como um dos nomes que melhor representam a potência da criação autoral brasileira nesse contexto. Neto de alfaiate, ele cresceu em contato direto com o universo da costura sob medida e transformou essa herança em base para um trabalho sofisticado, contemporâneo e profundamente ligado à própria identidade. Em vez de reproduzir fórmulas tradicionais, o estilista vem desenvolvendo uma assinatura em que a alfaiataria ganha novos sentidos por meio de referências afetivas, urbanas e culturais.
Carioca, Lucas faz da própria origem um elemento importante da sua construção estética. Seu trabalho parte do rigor técnico, mas encontra frescor quando dialoga com memória, território e símbolos da cultura brasileira. Essa combinação ajuda a explicar por que seu nome vem chamando atenção em um momento em que a moda nacional parece cada vez mais interessada em afirmar autenticidade, em vez de repetir modelos importados.
O encontro entre os dois nomes ajuda a contar, de forma bastante clara, o que o Rio Fashion Week pretende comunicar nesta fase. A presença de Constanza aponta para uma moda conectada ao cenário internacional e aberta à troca com outros mercados. O protagonismo de Lucas Leão, por sua vez, reafirma que a moda brasileira pode ocupar esse espaço com repertório próprio, técnica, refinamento e uma linguagem visual enraizada na sua própria cultura.
Mais do que recuperar visibilidade, o evento sinaliza uma tentativa de reposicionamento. O Rio volta a ser apresentado como espaço de criação, circulação de ideias e afirmação estética. E essa retomada ganha ainda mais consistência quando se apoia em nomes que traduzem tanto o alcance global quanto a força do que é produzido aqui.
No caso de Lucas Leão, esse movimento se torna ainda mais interessante porque sua trajetória revela um estilista atento à tradição, mas comprometido com releituras. Ao trazer para a moda elementos ligados à memória, à herança familiar e ao imaginário brasileiro, ele mostra que a sofisticação também pode nascer do que é íntimo, local e verdadeiro. É justamente esse tipo de assinatura que fortalece a imagem de uma moda brasileira mais madura, segura e autoral.
No fim, a presença de Constanza Cavalli Etro e Lucas Leão ajuda a resumir o espírito do Rio Fashion Week em sua nova fase: um evento que mira projeção internacional, mas entende que seu diferencial está justamente na capacidade de valorizar a identidade, a criatividade e o talento brasileiro.
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