Benny Briolly afirma que foi agredida no Plaza Shopping, em Niterói, após a repercussão do caso envolvendo o uso do banheiro feminino. A vereadora trans diz que levou socos, desmaiou e acusa vereadores do PL de incitarem ódio contra pessoas trans Foto: reprodução Instagram
Publicado 20/05/2026 20:58
A vereadora trans de Niterói Benny Briolly (PT) voltou a se pronunciar após a confusão registrada no Plaza Shopping, em Niterói, durante o ato “Libera Meu Xixi”, organizado após a repercussão envolvendo o uso do banheiro feminino no local.
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Em um vídeo publicado nas redes sociais, Benny afirmou que decidiu desmobilizar a caravana do ato após receber ameaças de morte, espancamento e hostilização pela internet. Segundo ela, mesmo após o anúncio, muitas pessoas já estavam mobilizadas e seguiram para o shopping.
“Ontem eu anunciei que estava desmobilizando a caravana depois de muitas ameaças de morte, de espancamento e de hostilização”, afirmou.
A parlamentar contou que decidiu ir ao Plaza Shopping para orientar apoiadores e tentar garantir a segurança das pessoas presentes. Segundo Benny, ao chegar ao local, conversou com jornalistas e pediu para que parte dos manifestantes deixasse o shopping.
Ela afirmou ainda que não tinha como controlar toda a sociedade civil presente no ato e declarou que o ambiente ficou perigoso após a mobilização de grupos contrários ao protesto.
“Era um espaço perigoso, porque o bolsonarismo mobilizou pessoas para agredir, hostilizar, filmar, espancar e linchar pessoas”, disse.
Durante o pronunciamento, Benny também afirmou que pessoas estão tentando responsabilizar sua equipe pelo tumulto registrado no shopping. Nos bastidores e nas redes sociais, circula a versão de que o spray de pimenta utilizado durante a confusão teria partido de integrantes ligados ao grupo da vereadora.
A parlamentar rebateu as acusações e afirmou que sua equipe está sendo “criminalizada”.
“O mais violento é querer responsabilizar e criminalizar a minha equipe”, declarou.
Na sequência, Benny citou nominalmente os vereadores Douglas Gomes, Allan Lyra e Fernanda Louback, todos do PL, acusando os parlamentares de incentivarem um ambiente de hostilidade contra pessoas trans.
Segundo a vereadora, os parlamentares e grupos ligados ao bolsonarismo estariam utilizando discursos sobre banheiro para estimular ódio contra pessoas trans.
“O imaginário social criado levou esse homem a me esmurrar”, afirmou.
Benny disse ainda que foi agredida quando tentou entrar no banheiro feminino do shopping.
“Fui agredida a socos, caí no chão, bati a minha cabeça e simplesmente apaguei, desmaiei”, relatou.
Após a agressão, a parlamentar afirmou que foi encaminhada ao hospital, passou pela Delegacia da Mulher e também pelo Instituto Médico Legal (IML).
Durante o vídeo, Benny também declarou que já iniciou uma mobilização nacional sobre o caso e afirmou que está acionando entidades e parlamentares ligados à pauta LGBTQIA+.
Entre os nomes citados estão as deputadas federais Erika Hilton e Duda Salabert, além da ANTRA e de organizações de defesa dos direitos da população trans.
A vereadora ainda afirmou que não pretende recuar após o episódio.
“Me tombaram ontem, fui agredida, fui violada, mas hoje eu estou de pé”, disse.
Benny também declarou que considera grave a atuação de parlamentares e influenciadores que, segundo ela, estariam incentivando ataques nas redes sociais.
“Liberdade de expressão é uma coisa. Incentivar pessoas a cometer crimes é outra”, afirmou.
O caso segue repercutindo nas redes sociais e ampliou o debate sobre transfobia, segurança e o direito de pessoas trans utilizarem banheiros de acordo com sua identidade de gênero.
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