Aristóteles DrummondAristóteles Drummond
Publicado 16/03/2026 00:00
Os atores da cena política não comprometidos com ação das esquerdas no poder precisam examinar o quadro que vivemos de forma racional, pragmática, e não emocional. Devem buscar no passado as lições nos diferentes embates políticos do pós-guerra até o fim do regime militar.

Política se faz construindo alianças, unindo, e não agredindo. São raros os s fenômenos eleitorais frutos de momentos excepcionais, e não se sabe de fenômenos que se repetiram.

O presidente Lula foi eleito com pequena margem por alguns fatores inquestionáveis. O primeiro foi pela habilidade de enganar o eleitor de centro com o discurso de “paz e amor”, construindo uma chapa com um político do centro que havia disputado com ele duas vezes e com acervo de material de duras críticas. Mas o objetivo de Lula era vestir a pele de cordeiro e o companheiro de chapa servia para esse propósito. Enquanto isso, o oponente tinha como companheiro de chapa um oficial sem tradição política, que nunca disputou uma eleição, que entrou na campanha mudo e saiu calado.

Outro fator a ser avaliado por quem tenha interesse em analisar com seriedade e sem emoção, foi que 38 milhões de eleitores se abstiveram, votaram. Branco ou nulo. Fica claro a qualquer observador que a grande maioria deste contingente não era simpático às esquerdas, eram de centro e explicam a rejeição ao então presidente, que construiu com suas polêmicas uma improvável derrota, pois vinha de um governo com bons resultados. E no segundo turno, foi incapaz de obter o apoio dos demais candidatos, o que Lula conseguiu.

Vale lembrar que nosso saudoso e exemplar presidente Castelo Branco recebeu JK em seu apartamento de Ipanema, para ter voto e apoio, e escolheu para seu vice um experimentado político, o deputado José Maria Alkmin. O presidente Costa e Silva escolheu outro político mineiro, Pedro Aleixo, com a sabedoria de ele ser oriundo da UDN, enquanto Alkmin era do PSD. E João Figueiredo teve de vice-presidente Aureliano Chaves, que foi deputado e governador de Minas ,
As forças políticas do centro para a direita precisam se entender. A falta de união e a escolha de um candidato com rejeição pode levar à reeleição de Lula.

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No controvertido processo conhecido como oito de janeiro, o sr. Bolsonaro perdeu mais uma oportunidade de ter uma liderança ao abandonar os companheiros, hoje presos. Teria muito a ganhar se assumisse a defesa de todos e se responsabilizasse pelas reuniões que convocou na qualidade de Presidente da República. No entanto, não teve nenhum gesto de apoio, a ponto de ter decepcionado seu Ajudante de Ordens, um jovem e promissor oficial do Exército. Não se entende que em nenhum momento ter se pronunciado sobre o absurdo da inclusão como réu do General Augusto Heleno, que nunca esteve presente nas reuniões no Alvorada após o resultado eleitoral.

Imperdoável é o ex presidente possa ter usado de sua autoridade para ordenar que não se removesse os acampamentos na tentativa de apagar da memória nacional o quanto devemos a grandes brasileiros, militares, desde o Império, com Caxias e Tamandaré, a República, com os presidentes e políticos de formação militar, como Eduardo Gomes, Eurico Dutra, Castelo Branco, Costa e Silva, Emílio Médice, João Figueiredo, e oficiais relevantes, como Lira Tavares, Silvio Frota, Augusto Rademaker, Orlando Geisel, entre outros.

Neste jogo político, não tem lugar para amadores!
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