Aristóteles DrummondAristóteles Drummond
Publicado 27/04/2026 00:00
O ex-deputado José Carlos Aleluia, do Novo da Bahia, renunciou a sua candidatura ao governo estadual para apoiar ACM Neto, em nome da necessidade dos baianos voltarem a ter governos progressistas e abertos ao investimento. Atitude de homem público com patriotismo.

No mesmo partido, o ex-governador de Minas Romeu Zema, que exerceu com dedicação e eficiência dois mandatos, se apresenta como postulante à Presidência da República. A chance é zero, não só pela falta de votos como de condições de agregar apoios que deem substância à candidatura, inclusive com preciosos minutos de televisão. Zema, como político improvisado pelo momento que o Brasil vem vivendo, não se integrou na política. Isolado, solitário, governou sem ouvir as forças tradicionais, positivas e honradas da política mineira.

Em seus mandatos, chega a chocar a falta de interesse de conhecer e conversar com parlamentares com muita experiência e herdeiros de boas tradições, conhecedores do Estado, dos interesses econômicos, regionais e principalmente com histórico de centro e centro-direita, dentro da escola que fez dos mineiros a grande reserva de homens públicos respeitados no Império e na República. Paulo Abi-Ackel, Rodrigo de Castro, Lafayette Andrada e Aécio Neves, que se saiba, nunca foram convidados para um café no Palácio. E mesmo políticos sem mandato, mas de passado, como Oscar Corrêa Filho, José Santana, Arlindo Porto, Saulo Coelho, Pimenta da Veiga e outros. Zema preferiu, até para funções em empresas mineiras, importar executivos de São Paulo.

Seu vice-governador e sucessor não tem nenhum trânsito nas bancadas que deram governabilidade a Zema. Nada contra, mas principalmente nada a favor ou que justifique apoio à sua candidatura. Ele, como Bolsonaro, vem de um momento histórico singular. Uns ficaram, como o próprio Zema, pelo bom desempenho, outros, como Bolsonaro, não conseguiram a reeleição.Mas de política ambos não assimilaram nada.

Não percebe que ganharia relevância se tivesse uma atitude como a de José Carlos Aleluia, na Bahia, que abriu mão de uma candidatura para favorecer um projeto político de alto interesse público, que seria a eleição de ACM Neto. Zema tem projeto pessoal, Bolsonaro projeto familiar. Caiado é a esperança da terceira via e é preciso vencer o “ príncipe herdeiro” no primeiro turno para derrotar Lula no segundo.

O povo e a classe política não são bobos! Quem não agir com grandeza vai ficar mal.
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Aristóteles Drummond é jornalista
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