Aristóteles DrummondAristóteles Drummond
Publicado 01/06/2026 00:00
Interessante e oportuna palestra proferiu a intelectual Aspásia Camargo, escritora, pesquisadora e ambientalista de referência. Aspásia também é política; exerceu mandato eletivo e ocupou relevantes funções públicas no Rio de Janeiro e no governo federal. Com esta intensa atividade, inspirou o senador Bernardo Cabral a convidá-la para falar sobre a inteligência e a política na Confederação Nacional do Comércio.

Foi uma tarde iluminada para plateia de altíssimo nível intelectual e empresarial, que a ouviu discorrer de maneira didática e correta sobre a presença na política de homens oriundos da inteligência através dos tempos. Fez um levantamento dos homens que contribuíram com ideias e marcaram época dominando países cultos em regimes autoritários, ditaduras e pelo voto democrático; a inteligência de homens de pensamento e ação de todas as correntes do pensamento.

A densa palestra proferida em plateia que tinha na audiência o acadêmico e ex-presidente do IHGB por um quarto de século Arno Wehling, entre outros notáveis, refletiu a formação da autora e levou a lembrança que a ligação da inteligência com a política no Brasil vem de longe, desde o final do século passado – fato a ser divulgado para que a esperança da qualidade dos atores na vida pública brasileira melhore e que isso não seja sonho ou utopia.

A própria centenária Academia Brasileira comprova a ligação entre a inteligência e a política. Foram acadêmicos os presidentes Getúlio Vargas, José Sarney, FHC, Marco Maciel e Aurélio Lyra Tavares – membro da Junta Militar formada com a morte do Presidente Costa e Silva –, os senadores Roberto Campos, Darcy Ribeiro, Luiz Vianna Filho, Assis Chateaubriand e os deputados Oscar Dias Corrêa, Augusto de Lima, Rui Barbosa, Hermes Lima, Jorge Amado, Pedro Calmon, Menotti Del Picchia, Cândido Mota filho Barbosa Lima Sobrinho e Miguel Reale, entre outros. E o Supremo teve nomes como Adauto Lúcio Cardoso, Célio Borja, Bilac Pinto, Aliomar Baleeiro, Oscar Corrêa, todos ex parlametares. Além de notáveis jornalistas, como Carlos Castelo Branco, Roberto Marinho, Murilo Mello Filho, Arnaldo Niskier, Zuenir Ventura, Cícero Sandroni e o emblemático na entidade, Austregésilo de Athayde, até o atual presidente, Merval Pereira.
Os que tiveram mandatos foram votados por um eleitorado mais criterioso. O afastamento das classes médias da vida pública, porém, abriu espaço para este nível deplorável de contingente metido em toda sorte de malfeitos. Hoje são poucos os ilibados.

É preciso educar para votar e defender a democracia, e não distribuir “bondades” às custas do tesouro que alimenta inflação, déficit público e alta de impostos.

Aspásia deve repetir para outros públicos a palestra que mostra que é possível a política com a cultura.
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