Aristóteles DrummondAristóteles Drummond
Publicado 06/07/2026 00:00
A ação policial da semana passada no caso da fraude ocorrida nas Lojas Americanas oferece aspectos de alta gravidade para uma avaliação correta do ambiente de negócios no Brasil, da insegurança jurídica e da razoabilidade.
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É chocante o envolvimento de membros do Conselho de Administração, sem função executiva, iludidos pelos dados contábeis internos, externos e até das autoridades fiscalizadoras do mercado de capitais, todos de reputação ilibada por décadas de atuação empresarial.
A simples leitura dos “envolvidos” mostra o absurdo e a irresponsabilidade dos responsáveis pela operação. As Lojas Americanas são uma das mais tradicionais empresas brasileiras negociadas em bolsa, com quase um século de presença, sendo das raras em seu tempo que cresceram e lucraram sem um controlador.
Eram duas ou três famílias, que influíam com participações inferiores a 10% cada uma.Nos anos oitenta, a empresa foi adquirida pelo Grupo Garantia e acionistas relevantes, integrando um dos maiores grupos econômicos nacionais e de forte presença internacional.
Os maiores acionistas são os mesmos do grupo cervejeiro Anheuser-Busch InBev/Ambev, o maior do mundo.Não seria exagero atribuir à má-fé ou à militância ideológica a acusação de empresários altamente conceituados e representantes de empresas das mais respeitadas do país. Um ato de irresponsabilidade que macula os esforços da sociedade para atrair investidores que gerem emprego e renda num país que não perde o hábito de perder oportunidades.
O Brasil está se tornando um mercado de alto risco para quem se aventura a investir ou a gerir grandes negócios. Não bastassem as aberrações na Justiça do Trabalho, na gula fiscal e na corrupção, vem somar-se a isso a demora em apurar malfeitos, muitas vezes desviando as atenções dos alvos reais, como parece ser o caso referido.
Os acusados são vítimas, e não autores.Lamentável que as entidades de representação empresarial, que no passado foram atores em ajudar o país a sair de crises econômicas ou institucionais, não se manifestem com indignação diante deste assassinato de reputações de brasileiros ilibados.É evidente que a aberração será corrigida, se já não foi, mas o mal está feito e pode se repetir aqui ou ali em outros casos.
Na verdade, estamos numa guerra em que uma das prioridades é desmerecer o setor privado, como se ele não fosse o provedor de empregos de qualidade, responsável por pagar impostos e fazer girar a economia. Isso, contudo, não impede que executivos organizem golpes em que o acionista é a maior vítima. Como se pode verificar, os que apuram parecem apreciar mais a gestão dos Correios, do BRB, da Infraero, dos fundos das estatais e de clientes do Banco Master, que seguem soltos.
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