Aristóteles DrummondAristóteles Drummond
Publicado 27/07/2026 00:00
Ao que tudo indica, o Brasil está a caminho do desfecho de uma crise múltipla, que pode provocar uma mudança significativa em seu futuro. Em relação à democracia, a eleição polarizada leva a crer que, no pleito, só haverá um perdedor: o país como um todo, visto que o eleito não terá condições de administrar um conjunto de problemas de grandeza inédita na história.
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Na economia, é inevitável um colapso diante da dimensão da dívida pública, das contas descontroladas, da ameaça da inflação, do desinvestimento e de suas consequências sociais. A fatura da gastança é enorme desde que o objetivo dos governos passou a ser a reeleição — infeliz iniciativa do presidente Fernando Henrique, movido pela ambição, pela vaidade e por maus conselheiros.
No modelo institucional, fica cada vez mais inadministrável um regime que não é presidencialista nem parlamentarista. O Legislativo invadiu o orçamento de tal maneira que o Executivo passou a gerenciar apenas os gastos obrigatórios, praticamente sem ter espaço orçamentário para investir. A Previdência cresce nas despesas e diminui na receita de uma economia cada vez mais informal. Mas tudo tem um limite e, na Previdência, esse parece estar próximo de um impasse. Dívidas pública e da população quase impagáveis alimentam altos juros. Como resolver esses problemas sem medidas fortes, austeras e algum sacrifício?
O Judiciário é o ponto alto da desfiguração do Estado brasileiro. Interfere como legislador em todas as áreas, socorre o governo quando solicitado e afronta os esforços de todos pela contenção de despesas. Possui os mais altos salários do país, ignora o Legislativo e não respeita a imunidade parlamentar. Aproveitaram as bobagens de Bolsonaro para colocar na cadeia oficiais-generais que, no máximo, atendiam a chamamentos do presidente da República e davam opinião, nunca condescendendo com os delírios do derrotado que construiu a própria derrota. Mesmo assim, cassam mandatos e anulam projetos aprovados.
Além disso, os casos de abuso de poder, envolvimento com negócios e projetos pessoais de altos magistrados com patrocínio privado colaboram para uma crise de confiança sem precedentes. E o mais grave é que tudo isso é conhecido, comprovado e não explicado. Acima desses senhores hoje, só Deus. Uma pena um país que teve um Duque de Caxias e Dom Pedro II chegar a este ponto.
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