Arte coluna Bispo Abner 18 janeiro 2026Arte Paulo Márcio
Publicado 18/01/2026 00:00
“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.”
Salmos 90:12
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Há uma sensação silenciosa que acompanha quase todo ser humano em algum momento da vida: a de que o tempo escorre pelos dedos. Um dia seguimos acreditando que tudo pode ser adiado; no outro, percebemos que os dias passaram, as oportunidades mudaram de forma e algumas pessoas já não estão mais aqui. A vida passa depressa, e essa não é uma frase poética, é uma constatação existencial.
Vivemos numa era acelerada em que a tecnologia encurtou distâncias, mas também encurtou a paciência. Temos acesso a tudo, menos ao tempo que já se foi. O paradoxo é evidente: nunca tivemos tantas ferramentas para viver melhor e, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão distraídos para dar conta da própria vida. Corremos tanto para chegar a algum lugar que, muitas vezes, esquecemos de perguntar se esse lugar realmente vale a pena estar.
O tempo não é apenas uma sucessão de dias no calendário; ele é feito de experiências, vínculos, decisões e prioridades. Cada escolha que fazemos é, na prática, uma declaração sobre o que consideramos importante. Quando adiamos o afeto, negligenciamos a saúde, postergamos o perdão ou silenciamos nossos sonhos, estamos dizendo, ainda que sem perceber que acreditamos ter tempo de sobra. E esse é um dos enganos mais comuns da existência.
A vida não se perde apenas por grandes tragédias. Ela também se esvai nos pequenos desperdícios diários: na conversa que nunca acontece, no abraço adiado, no cuidado consigo mesmo que fica sempre para depois, na vida vivida no “automático”. Muitos chegam à maturidade não cansados de trabalhar, mas arrependidos de não ter vivido mais intensamente.
Aproveitar a vida não significa viver de forma irresponsável, egoísta ou inconsequente. Pelo contrário. Viver bem exige consciência, propósito e equilíbrio. Significa saber dizer “não” ao que rouba tempo e sentido, para dizer “sim” ao que constrói história, caráter e memória. Aproveitar a vida é aprender a valorizar o essencial: pessoas, saúde, propósito, fé, serviço e crescimento interior.
Entenda, há uma diferença profunda entre estar ocupado e estar realizado. Nem toda agenda cheia revela uma vida plena. Muitas vezes, o excesso de compromissos esconde uma fuga silenciosa de si mesmo. Parar, refletir e reorganizar prioridades não é perda de tempo; é investimento em qualidade de vida emocional, relacional e espiritual.
A vida não é apenas sobre grandes momentos, mas sobre a soma dos pequenos. A felicidade não mora apenas nos eventos extraordinários, mas nos gestos simples: uma refeição em família, uma conversa sincera, um dia vivido com propósito, um coração em paz. Quem aprende a perceber isso não vive correndo atrás da vida, mas vive dentro dela.
Talvez o maior convite deste tempo seja este: viva com intenção de forma intensa. Não espere “quando sobrar tempo”, porque ele não sobra. Ele passa. Viva agora, com sabedoria, profundidade e verdade. Invista no que permanece quando os dias correm e as estações mudam. Porque, no fim, não será a quantidade de anos que definirá uma vida bem vivida, mas a qualidade de sentido que colocamos em cada um deles. A vida passa depressa. Mas ainda dá tempo de viver bem.
Vamos orar:
Senhor, ensina-me a viver cada dia com sabedoria, a valorizar o tempo que me concedes e a não desperdiçar a vida com aquilo que não edifica. Que eu viva com propósito, gratidão e consciência, aproveitando cada dia para amar, crescer e fazer o bem. Em Nome de Jesus, Amém.
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